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Ébola: Mais de 3.500 casos registados em poucos meses na RDCongo

Lusa
31-07-2026 15:16h

Mais de 3.500 casos de Ébola foram registados em poucos meses na República Democrática do Congo (RDCongo), ultrapassando o número de infeções da epidemia mais mortífera da história do país, entre 2018 e 2020, segundo dados oficiais hoje divulgados.

O país africano enfrenta uma epidemia de Ébola em várias províncias do leste do país, uma região afetada por conflitos há mais de 30 anos.

O Ébola, que se transmite através do contacto com fluidos corporais e provoca uma febre hemorrágica, causou mais de 15.000 mortes em África nos últimos 50 anos.

A epidemia mais mortífera registada na RDCongo provocou cerca de 2.300 mortos entre os 3.500 casos identificados entre 2018 e 2020.

Até sexta-feira, tinham sido confirmados 3.532 casos de Ébola em cinco províncias do país, incluindo 1.556 mortes, de acordo com os dados divulgados pelas autoridades congolesas.

O limiar dos 2.000 casos confirmados foi ultrapassado em 15 de julho, apenas dois meses após a declaração oficial da epidemia, em 15 de maio.

Esta 17.ª epidemia de Ébola no país é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existe, até ao momento, qualquer vacina ou tratamento.

Uma vacina considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como "a mais promissora" para combater a atual epidemia será desenvolvida pela Hilleman Laboratories, anunciou a empresa na quinta-feira.

Na semana passada, um primeiro voluntário recebeu a primeira dose de outra vacina contra a variante Bundibugyo, desenvolvida pela Universidade de Oxford, que utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca.

O principal foco da epidemia de Ébola, cuja verdadeira dimensão continua a ser difícil de avaliar e que poderá prolongar-se durante vários meses, situa-se na província de Ituri, no nordeste da RDC, junto às fronteiras com o Sudão do Sul e o Uganda, concentrando cerca de 90% dos casos, segundo a OMS.

O vírus está também presente em outras quatro províncias, incluindo o Kivu do Norte e o Kivu do Sul, onde as capitais provinciais e vastas áreas do território são controladas pelo grupo armado antigovernamental Movimento 23 de março, apoiado pelo Ruanda.

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