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Médio Oriente: OMS alerta para risco de epidemias no Iémen devido à guerra

Lusa
16-09-2026 16:36h

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje para o risco de epidemias de cólera, sarampo, dengue e outras doenças no Iémen, onde a guerra provocou mais de 100.000 desalojados nos últimos dias.

Os combates entre forças governamentais com o apoio da Arábia Saudita e os rebeldes huthis apoiados pelo Irão aumentaram no início de setembro, quando os rebeldes apoiados pelo Irão lançaram uma ofensiva no oeste do país.

“Quase 20 milhões de pessoas no Iémen precisam de assistência sanitária”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma conferência de imprensa na cidade suíça de Genebra.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) elevou hoje para mais de 104.000 o número de pessoas que fugiram devido à atual ofensiva dos huthis.

O chefe da OMS disse que a ameaça é especialmente grave nas comunidades de deslocados.

“Os ataques contra centros de saúde, a escassez de mantimentos e combustível e as interrupções de serviços estão a levar o sistema cada vez mais para perto do colapso”, advertiu, citado pela agência espanhola EFE.

A OMS pediu que os profissionais de saúde sejam protegidos dos ataques, tal como os canais para levar ajuda às comunidades necessitadas, num momento em que esse acesso continua gravemente reduzido por razões de segurança.

O número de deslocados pelo conflito nas últimas semanas inclui mais de 2.700 pessoas que atravessaram o mar Vermelho até ao Djibuti, na costa oriental africana, de acordo com a OIM.

A província iemenita de Taiz, na costa sudoeste, é a zona mais afetada pela nova vaga de deslocados, com mais de 63.000 pessoas forçadas a abandonar o local habitual de residência.

“O Iémen é um país devastado pela guerra, pelas deslocações, pela pobreza e pelos impactos climáticos”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope.

“Ignorar o sofrimento dos civis é inaceitável, uma vez que as necessidades continuam a aumentar”, acrescentou, citada num comunicado divulgado hoje pela OIM em Genebra.

Segundo a OIM, os trabalhadores humanitários afirmam que o ritmo das deslocações está a ultrapassar a capacidade de as acompanhar em tempo real.

“As famílias estão a deslocar-se sob fogo inimigo, muitas vezes à noite. Muitas levam consigo pouco mais do que aquilo que conseguem carregar”, referiu a organização.

“No total, 104.796 pessoas, distribuídas por 17.461 agregados familiares, encontram-se agora deslocadas”, precisou.

A ofensiva permitiu aos rebeldes um maior controlo no acesso ao mar Vermelho através do estreito de Bab el-Mandeb, que permite a ligação ao canal do Suez.

A via do mar Vermelho ganhou maior importância devido ao bloqueio iraniano do estreito de Ormuz, no extremo oriental da península Arábica, desde o início da ofensiva israelo-americana contra Teerão, em 28 de fevereiro.

Os dois estreitos são cruciais para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos, com as perturbações no tráfego marítimo a causarem aumentos de preços com consequências económicas em muitos países.

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