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IGAS arquiva inquérito a morte de homem em Tavira, apesar do atraso no socorro

Lusa
16-09-2026 16:25h

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) arquivou o inquérito sobre o socorro a um homem que morreu em Tavira, alegando não existir relação direta entre o atraso dos meios de emergência e a morte.

Em comunicado, a IGAS adiantou hoje que o processo de inquérito para apurar os factos relacionados com a morte do homem em 06 de janeiro de 2026, enquanto aguardava pelo socorro do INEM, foi arquivado em 07 de agosto.

Este caso refere-se a um homem, 68 anos, que veio a falecer depois de várias chamadas para o INEM e de os meios apenas terem chegado mais de uma hora depois, segundo relatou a família na altura.

A fita do tempo desta ocorrência, a que a Lusa teve acesso, regista uma primeira chamada pelas 18:07, seguida de uma segunda chamada de socorro a questionar a demora dos meios.

A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (resposta em 18 minutos), passando a P1 (resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18:47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.

“A IGAS apurou a inexistência de nexo de causalidade entre o atraso no atendimento (que é efetivo) e o desfecho fatal verificado”, avançou a inspeção-geral, que concluiu também que não existiram indícios de infrações disciplinares imputáveis aos profissionais que tiveram participação no caso, referindo especificamente os trabalhadores do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM.

“Ficou evidenciado que todos os intervenientes realizaram as diligências que lhe competiam de imediato, com celeridade e assertividade, acionando primeiramente os meios de socorro disponíveis (Bombeiros de Faro - Cruz Lusa e a ambulância de suporte imediato de vida de Tavira) e, depois, com a alteração do grau de prioridade (paragem cardiorrespiratória), o meio de socorro mais diferenciado (viatura médica de emergência e reanimação de Faro)”, adiantou o comunicado.

Segundo a IGAS, contribuiu para o “desfecho fatal” a distância em que se encontrava a ambulância dos Bombeiros de Faro - Cruz Lusa, a cerca de 30 quilómetros, que foi o meio de socorro acionado em alternativa, face à inoperacionalidade das ambulâncias dos Bombeiros Voluntários de Tavira, que ficavam a menos de metade da distância.

Além disso, a inspeção-geral concluiu que as queixas transmitidas inicialmente não apontavam para um caso de paragem cardiorrespiratória, o que levou ao acionamento de um meio de socorro menos diferenciado.

“O facto de a patologia revelada na autópsia médico-legal ser de extrema gravidade, com um índice de mortalidade muito elevado”, foi outro dos fatores que “contribuíram decisivamente para o desfecho fatal”, referiu a IGAS.

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