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Ébola: Epidemia na RDCongo continua "massiva e letal" apesar dos progressos - ONU

Lusa
16-09-2026 14:30h

A epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) continua a ser "massiva e letal", apesar dos progressos na luta contra o vírus em várias zonas afetadas alertou hoje o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

"Continua a ser uma epidemia massiva e mortal. Observam-se progressos em algumas zonas, mas noutras o número de casos continua a aumentar", sublinhou o coordenador especial para o Ébola da OCHA, Julien Harneis, num comunicado sobre a evolução da epidemia deste vírus, que já causou mais de 3.500 mortes na RDCongo.

Harneis, que hoje se deslocará a Bunia, capital da província nordeste de Ituri (epicentro do surto), sublinhou que é demasiado cedo para afirmar que o pico da epidemia já foi ultrapassado, tal como afirmaram esta semana as autoridades congolesas, que situaram esse pico na terceira semana do passado mês de agosto.

Embora exista uma "resposta integrada", o coordenador insistiu na necessidade de "intensificar as ações nas áreas onde há nova transmissão" e reiterou que é necessária uma solidariedade internacional "muito maior".

Para ilustrar a magnitude do surto, Harneis referiu que existem casos em Ituri e na província de Ubangi do Sul (noroeste), no extremo oposto do país, e "essa distância equivale aproximadamente à que existe entre Genebra e Dublin".

"A área onde se registam casos ou transmissão abrange dois fusos horários; demora duas horas e meia a voar de uma extremidade à outra da zona afetada pela epidemia", salientou.

"É um ambiente extremamente diversificado e heterogéneo, e é incrivelmente difícil operar nesse contexto", precisou Harneis, uma vez que "em muitas zonas as estradas estão em péssimo estado" e "o acesso por meio de pequenos aviões também é complicado em muitos locais".

A RDCongo declarou, em meados de maio, com várias semanas de atraso, a sua 17.ª epidemia de Ébola.

A epidemia causou, até ao momento, 3.510 mortos e 7.258 casos confirmados, de acordo com os últimos dados divulgados pelo Governo congolês.

O número de doentes que conseguiram superar a doença ascende a 1.726, enquanto 905 se encontram em situação de isolamento e ou hospitalização.

O vírus afeta 62 zonas de saúde em sete províncias (das 26 que compõem a RDCongo): Ituri, Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte), Haut-Uélé (nordeste), Kivu do Norte (leste), Kivu do Sul (leste) e Ubangi do Sul (noroeste).

Esta epidemia — a segunda mais mortífera e contagiosa da história a nível global — ultrapassou a que ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, embora continue longe da mais grave registada até à data, que provocou cerca de 11.000 mortos e 28.000 casos na África Ocidental entre 2014 e 2016.

A estirpe de Bundibugyo, responsável pela atual epidemia, não tem tratamentos específicos, embora a OMS esteja a trabalhar em duas vacinas que já iniciaram ensaios de fase 1 em seres humanos e que, até ao momento, se revelaram seguras; no entanto, o seu desenvolvimento poderá demorar vários meses.

A atual epidemia também se propagou ao vizinho Uganda, onde a OMS declarou, no passado dia 26 de agosto, o fim do surto, após terem sido registados 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, entre os quais se contaram duas mortes.

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