Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira, 30 de julho, ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.
Fontes policiais espanholas indicaram que subiu para 19 o número de corpos retirados do mar desde quinta-feira. Nesse dia, milhares de pessoas avançaram do território marroquino em direção à fronteira, procurando entrar em Ceuta a nado, a pé ou transpondo a vedação que separa os dois territórios.
Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial mobilizado nos dois lados da fronteira não conseguiu conter a deslocação em massa.
A entrada de pessoas prosseguiu durante a madrugada e continuava esta manhã. A agência Europa Press referiu que “numerosas pessoas” permaneciam a atravessar a fronteira, enquanto o jornal El País descreveu centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas de Ceuta, à medida que prosseguiam as entradas irregulares provenientes de Marrocos.
O movimento junto à fronteira começou, entretanto, a fazer-se nos dois sentidos. De acordo com a agência EFE, centenas de migrantes que tinham entrado em Ceuta começaram esta manhã a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto utilizado para chegar à cidade, junto ao pontão fronteiriço de El Tarajal.
“De forma paralela, continuam a entrar na cidade pequenos grupos de pessoas pelo mesmo local, cruzando-se no caminho com os que abandonam Ceuta em direção a Marrocos”, relatou a agência espanhola.
No lado marroquino, na cidade de Fnideq, a EFE testemunhou “confrontos violentos” nas proximidades da fronteira, envolvendo centenas de pessoas que procuravam passar para território espanhol.
“Grupos de pessoas tentaram forçar a vedação e lançavam pedras contra as forças de segurança mobilizadas para a zona”, acrescentou a agência.
As autoridades espanholas e marroquinas ainda não divulgaram números oficiais sobre o total de pessoas que entrou em Ceuta desde quinta-feira. Vários meios de comunicação social espanhóis estimam, sem confirmação oficial, que pelo menos 20 mil pessoas terão atravessado a fronteira, considerando esta a maior crise migratória na zona desde 2021.
Nesse ano, cerca de 10 mil migrantes entraram em Ceuta em apenas dois dias, após uma alegada flexibilização dos controlos por parte de Rabat. A situação ocorreu na sequência da hospitalização em Espanha do líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental, território ocupado por Marrocos desde 1975.
A pressão migratória estendeu-se também a Melilla, o outro enclave espanhol no norte de África. Centenas de pessoas tentaram atravessar irregularmente a fronteira a partir de Marrocos, levando as autoridades a encerrar totalmente a passagem durante a madrugada.
Segundo a Rádio Nacional de Espanha, entre 300 e 400 pessoas terão conseguido entrar em Melilla a nado na quinta-feira, embora a situação na cidade seja agora descrita como calma.
O encerramento da fronteira deixou ainda retidos em território espanhol cerca de 500 automóveis de cidadãos marroquinos residentes na Europa que regressavam ao país para passar as férias de verão.
O Governo espanhol anunciou na quinta-feira o envio de militares para apoiar a Guarda Civil na “manutenção da segurança na cidade”, além do reforço dos meios das forças de segurança.
Segundo a Europa Press, o Exército espanhol começou já a colocar tanques no acesso a Ceuta, junto à fronteira com Marrocos, na zona de El Tarajal.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, deverão deslocar-se hoje a Ceuta.
As autoridades marroquinas reforçaram igualmente os controlos para reduzir a pressão sobre a fronteira. Os governos de Espanha e de Marrocos garantiram na quinta-feira que mantêm uma boa cooperação bilateral na resposta à crise, que ambos atribuem à atuação de redes de tráfico de seres humanos.