Moçambique registou cinco casos de cólera nas últimas 24 horas, elevando para 9.553 o total de infeções desde o início do surto em setembro de 2025, que já provocou 89 mortes, segundo dados oficiais divulgados hoje.
De acordo com o mais recente boletim da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP), o país contabilizou, entre 03 de setembro de 2025 e 25 de julho de 2026, um total de 9.553 casos, dos quais 3.986 ocorreram na província de Nampula, que continua a ser a mais afetada, com 39 óbitos registados.
A província de Tete permanece como a segunda mais atingida, somando 2.974 casos e 33 mortes, seguida de Cabo Delgado, com 1.137 infeções e oito óbitos.
Em Sofala, as autoridades registaram 921 casos e quatro mortes, enquanto Manica acumula 386 infeções e três óbitos. A província da Zambézia contabiliza 146 casos e dois mortos. Na província de Maputo foram notificados três casos, sem registo de óbitos, e a cidade de Maputo reportou um caso.
Os dados oficiais indicam que nas últimas 24 horas foram registados cinco casos, com quatro doentes internados e um atendido em regime ambulatório. No mesmo período, foram concedidas seis altas médicas, houve um reingresso e não foi registado qualquer óbito.
Atualmente, 12 pacientes permanecem internados devido à doença em todo o país.
Segundo o boletim, a taxa de letalidade geral mantém-se em 0,9%, enquanto a taxa de letalidade intra-hospitalar é de 0,3%.
Desde o início da epidemia, o sistema nacional de saúde contabilizou 5.806 internamentos, 3.747 atendimentos ambulatórios, 9.452 altas hospitalares, 29 reingressos e 16 abandonos de tratamento.
O novo Quadro de Ação Antecipatória das Nações Unidas à cólera em Moçambique prevê financiamentos até 1,7 milhões de euros para intervenções rápidas antes que os surtos se agravem, como o atual.
O documento foi aprovado em 22 de maio pelas estruturas do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e estabelece um mecanismo que liga dados epidemiológicos a financiamento imediato, permitindo agir precocemente e evitar crises de maior dimensão.
Por outro lado, acrescenta que a cólera continua a representar uma grave ameaça de saúde pública em Moçambique, com surtos recorrentes associados à falta de acesso a água potável, condições de saneamento deficientes e fenómenos climáticos extremos, como ciclones e inundações.
O novo quadro que antecipa o combate à cólera aprovado pelo OCHA define que a resposta será ativada com base em dados semanais sobre diarreia aquosa aguda, permitindo identificar rapidamente aumentos anormais de casos. Uma vez ultrapassados os limiares predefinidos, as ações serão desencadeadas automaticamente, evitando atrasos na mobilização de recursos.
Um dos elementos centrais do mecanismo é o financiamento pré-posicionado através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), que disponibilizará até 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros) para o período de vigência de dois anos. Cada ativação pode libertar 750 mil dólares (650 mil euros), permitindo duas intervenções rápidas durante esse período.
Além do financiamento direto do CERF, o plano prevê cofinanciamento por parte das agências envolvidas, elevando o valor total mobilizável para perto de dois milhões de dólares (1,7 milhões de euros), incluindo recursos adicionais destinados à preparação e implementação no terreno.