A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, defendeu hoje que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa de mais profissionais, mas também de aumentar a produtividade e reorganizar a prestação de cuidados.
“Não vou dizer que não são precisos mais recursos, mas também não vou dizer que é só com mais recursos que nós resolvemos o problema que temos”, afirmou Ana Paula Martins à saída da cerimónia de comemoração dos 47 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que decorreu em Coimbra, sublinhando que a produtividade do SNS “precisa de aumentar”.
“Tem que aumentar não apenas por via dos profissionais e dos recursos, mas da organização de cuidados e da sua estratificação”, acrescentou.
Aos jornalistas, a ministra da Saúde apontou a necessidade das pessoas não tratarem na urgência médica situações que podem ser tratadas nos cuidados de saúde primários.
“E se os cuidados de saúde primários são a base de todo o sistema, onde 90% dos cuidados devem ser prestados desde a preconceção até ao fim de vida, então (...) também teremos que procurar novas formas, além das que já temos, de intervenção em saúde de proximidade”, disse.
Segundo a ministra, só deve chegar aos hospitais e aos vários níveis de hospitais “em termos de sua diferenciação, aquilo que faz sentido chegar”.
“De outra maneira, não conseguiremos fazer esta gestão. Não é possível: seria caótico”, referiu.
Questionada sobre a ideia de que o Ministério da Saúde não tem capacidade para contratar médicos, Ana Paula Martins explicou que existe um quadro de contratação e que são abertos concursos para preencher as vagas disponíveis.
No entanto, parte das vagas ficam desertas, pela “falta de atratividade de determinados hospitais e zonas do país”.
“Há muitos determinantes, mas nós continuamos a acreditar que é importante abrir essas vagas e aquilo que está assumido pelo governo é que continuaremos a abrir concursos anuais, dentro daquilo que é o quadro de recursos humanos que as nossas unidades locais de saúde têm para atrair médicos para o Serviço Nacional de Saúde”, assegurou.
A governante indicou ainda que, desde a entrada em funções do atual Governo, foram contratados cerca de 6.000 profissionais de diferentes áreas, num universo que referiu ser de cerca de 158 mil trabalhadores.