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ULS quer construir nova torre no Hospital de Leiria que está a “rebentar pelas costuras”

Lusa
15-09-2026 13:26h

A Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria quer construir uma terceira torre no Hospital de Santo André, em Leiria, que está a “rebentar pelas costuras”, anunciou hoje o seu presidente, Manuel José Carvalho.

“(…) Estamos a rebentar pelas costuras. A nossa ULS é uma das maiores do país, abrange à data um universo de 420 mil utentes, tendo este Hospital de Santo André sido inaugurado há 31 anos e na altura dimensionado para metade desta população”, afirmou Manuel José Carvalho, na sessão que assinalou o dia da ULS, realizada na unidade hospitalar.

Segundo o presidente, “este crescimento sustentado da população” da região, “pelo seu dinamismo, empreendedorismo empresarial, desenvolvimento e inovação, de que a recente criação da Universidade de Leiria e Oeste é o mais recente exemplo, cria atratividade de novas gentes” e “consequente pressão e novos desafios nas áreas sociais que definem a qualidade de vida das sociedades modernas, a saúde, a educação, a justiça, a segurança, as mobilidades”.

“Na área que nos diz respeito, a saúde, os dados de 2025 revelam um rácio de camas por mil habitantes na nossa região de 1,9 camas, quando a média nacional é de 3,4 camas por mil habitantes e a média recomendada em países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico] é de 4,2 camas por mil habitantes”, adiantou o responsável da ULS.

Para Manuel José Carvalho, estes valores são elucidativos, mas aos quais se deve “juntar o grau de complexidade e exigência crescente das atividades em saúde, com o recurso a novos equipamentos, a novos meios complementares de diagnóstico, à robótica e à incorporação da IA [inteligência artificial], hoje imprescindíveis para garantir, segundo as melhores práticas, cuidados de excelência” aos utentes.

De acordo com o presidente da ULS, a construção de uma terceira torre (já existem a nascente e a poente) é o “grande desafio” e também “a resposta para todos aqueles que aqui trabalham e para uma região que na adversidade se une e sai mais forte”, numa alusão à depressão Kristin, e, “acima de tudo, para cuidar” de quem precisa.

Manuel José Carvalho revelou que, em agosto, numa reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já foi entregue o primeiro projeto/esboço.

No discurso, o presidente do conselho de administração elencou o trabalho desenvolvido desde a tomada de posse, em janeiro de 2025, quando foi herdada “uma situação de 100 mil utentes sem médico de família, 25% dos utentes inscritos, associada a vários constrangimentos, nomeadamente na cobertura das escalas de urgência”, ou “serviços com fragilidades na quantidade e na gestão dos seus recursos humanos”, num total de 3.500 profissionais.

Referindo que o conselho de administração “definiu uma política de atratividade para a instituição em duas áreas chave, a dos recursos humanos e a sua qualificação, e a aquisição de equipamento tecnológico de ponta”, o médico destacou que “nestes dois anos não mais houve concursos abertos e desertos”.

Neste aspeto, admitiu ser “gratificante constatar que nos concursos nacionais, quer as vagas hospitalares, quer as vagas de medicina geral e familiar ficaram totalmente preenchidas”, o que permitiu garantir, por exemplo, “médico de família a 80 mil novos utentes”, além de quase uma centena de novos médicos especialistas.

Manuel José Carvalho realçou também o trabalho em vários serviços, como a criação da Unidade de Internamento Transitório na urgência, o projeto Hospital Domicílio Sénior, para os utentes de lares, e o Centro de Enfermagem Materno Infantil do Lis, para atendimento por enfermeiros especialistas de saúde materna e obstétrica às grávidas de baixo risco sem médico de família.

Já sobre investimento, reconheceu que o Plano de Recuperação e Resiliência é “o grande aliado nesta matéria, com um investimento global nestes dois últimos anos de cerca de 25 milhões de euros”.

“No capítulo das obras, estão atualmente em curso ou a iniciar ainda neste ano, a eficiência energética nos três hospitais, de Leiria, Alcobaça e Pombal, a consulta externa do Hospital de Pombal, a nova Unidade de Gastroenterologia, a Unidade Reabilitação Psiquiátrica nos Andrinos, a ampliação da Consulta Externa e do Serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André, e o segundo bloco operatório no Hospital de Alcobaça”, acrescentou.

A sessão, presidida pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, contou, entre outros momentos, com a tomada de posse do conselho consultivo da ULS, liderado por Isabel Damasceno, antiga presidente da Câmara de Leiria e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

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