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Mpox: Portugal com aumento da transmissão do vírus desde 2025 e com 282 casos este ano

Lusa
15-09-2026 13:58h

Portugal registou desde 2025 um aumento da transmissão do vírus da mpox, com 282 casos confirmados já este ano, mas o número de infeções tem diminuído nas últimas semanas, anunciou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS).

"Desde 2025, tem-se observado uma intensificação da transmissão de mpox no país. Entre 01 de janeiro e 31 de agosto de 2026, foram confirmados 282 casos de mpox em Portugal, com maior expressão a partir do final de maio, sobretudo nos meses de junho e julho", adiantou a DGS à agência Lusa.

De acordo com a direção-geral, 18 pessoas - 6,4% dos 282 casos confirmados este ano - necessitaram de internamento hospitalar, uma proporção que é semelhante à registada no mesmo período de 2025 (6,5%).

Uma análise epidemiológica da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgada na segunda-feira, avançou que Portugal registou transmissão comunitária da subvariante lb do vírus que causa a doença infecciosa mpox, tendo reportado um total de 66 casos de infeção dessa linhagem recentemente.

"A transmissão comunitária da clade lb MPXV [vírus monkeypox) fora da África Central e Oriental foi reportada na República Checa, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Países Baixos, Portugal, Suíça e Reino Unido, incluindo em redes sexuais de homens que têm sexo com homens e ou de profissionais do sexo", referiu a agência das Nações Unidas para a saúde pública.

Um país é classificado como tendo transmissão comunitária quando pelo menos um caso reportado nas últimas seis semanas não tiver ligação a uma viagem recente ou a um viajante de um país com transmissão comunitária durante o período de incubação.

Segundo adiantou hoje a DGS, após a intensificação das infeções verificadas em maio, junho e julho, nas últimas semanas tem sido registada uma diminuição no número de casos.

As infeções confirmadas referem-se, maioritariamente, a homens (97,9%), com uma idade média de 35 anos, e Lisboa e Vale do Tejo concentra a maioria, representando 66,7% do total.

Dos casos registados em homens, "81,2% tiveram relações sexuais com outros homens, mantendo-se um perfil epidemiológico semelhante ao anteriormente observado", referiu ainda a DGS.

Relativamente às variantes do vírus, em 80,5% dos casos foi identificado o clade I, avançou também a direção-geral, ao adiantar que foram identificados 13 'clusters', ou seja, grupos de casos epidemiologicamente relacionados, mas de pequena dimensão, com uma média de 2,4 casos por 'cluster'.

Em nove destes 'clusters' foi identificado o clade Ib, conforme tinha sido referido no relatório da OMS, sete dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo.

A DGS realçou também que tem mantido uma estratégia de prevenção e resposta à mpox que inclui a informação dirigida à população e aos profissionais de saúde, ações de sensibilização e campanhas de promoção da vacinação disponível no SNS, desenvolvidas em articulação com as autoridades de saúde e com organizações de base comunitária.

"Estas iniciativas, que vão continuar, têm procurado reforçar o conhecimento sobre as formas de transmissão, os sinais e sintomas da doença, as medidas de prevenção e a importância da vacinação entre as pessoas com maior risco de exposição", referiu.

A direção-geral reforçou ainda a importância da adoção de medidas de prevenção e da procura atempada de cuidados de saúde perante sintomas compatíveis com mpox, como lesões na pele ou nas mucosas, febre ou aumento dos gânglios linfáticos.

Perante estes sintomas, deve ser evitado o contacto próximo com outras pessoas e deve ser contactado o SNS 24, através do número 808 24 24 24, ou um profissional de saúde, apelou a DGS.

O vírus transmite-se por contacto físico próximo, nomeadamente com as lesões ou fluidos corporais, ou por contacto com material contaminado, como lençóis, atoalhados ou utensílios pessoais.

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