Cerca de 50 especialistas em saúde do Uganda foram enviados para a República Democrática do Congo (RDCongo), num reforço da resposta ao surto de Ébola, anunciou o ministro da Saúde ugandês, Chris Baryomunsi.
Durante uma visita na terça-feira a Bunia, capital da província de Ituri e epicentro da epidemia, Baryomunsi anunciou também o apoio logístico e a criação de centros de tratamento nas zonas fronteiriças entre os dois países, noticiaram hoje os meios de comunicação locais.
Estes 50 especialistas já estão mobilizados, principalmente na cidade de Aru (Ituri), onde está em funcionamento um centro de tratamento de Ébola. Uma outra unidade semelhante está a ser instalada na cidade de Kasenyi, também na província de Ituri.
“O meu apelo é dirigido ao povo congolês. O Ébola é uma doença muito perigosa. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maiores serão as hipóteses de recuperação. No Uganda, registámos 20 casos confirmados e apenas duas mortes. Isto demonstra que o tratamento precoce salva vidas”, declarou o ministro da Saúde.
O ministro afirmou ainda que a reabertura das fronteiras entre os dois países dependerá da evolução da situação sanitária e que a passagem será permitida a camiões de carga, profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e forças de segurança.
Este apoio faz parte de um memorando de entendimento sobre a cooperação na área da saúde, assinado em 23 de junho, para combater o vírus Ébola, que na República Democrática do Congo já provocou 580 mortes e resultou em 1.780 casos confirmados.
O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Uganda e o Sudão do Sul e epicentro da epidemia, mas alastrou às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, tendo depois a Organização Mundial de Saúde declarado epidemia.
A epidemia corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade varia entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado, segundo a OMS, que considera o risco de propagação do surto na África Subsariana como "elevado" e "baixo" à escala global.
A OMS estima que o vírus tenha começado a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração do surto, classificando a epidemia em 17 de maio como uma "emergência de saúde pública de importância internacional".
Esta é já a terceira pior epidemia de Ébola da história e só é ultrapassada pela que atingiu a África ocidental entre 2014 e 2016, que fez cerca de 11.000 mortos e 28.000 infetados; e por outra que afetou o leste da RDCongo entre 2018 e 2020, causando 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.