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Misericórdia do Porto encerra hortas para requalificação do hospital Conde Ferreira

LUSA
07-07-2026 18:48h

A Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP) explicou hoje que vai “suspender” as hortas instaladas no Parque José Avides Moreira, uma comunitária e outra para utentes do Centro Hospitalar Conde Ferreira, para fazer obras de requalificação neste hospital.

“A Misericórdia do Porto informa que o projeto das hortas do Parque José Avides Moreira será suspenso a partir do próximo mês de outubro, na sequência do início das obras de requalificação das infraestruturas do Centro Hospitalar Conde de Ferreira”, pode ler-se em comunicado hoje enviado à Lusa.

Segundo cartas de notificação a que a Lusa teve hoje acesso, a administração informou os hortelãos dos 232 talhões ali disponibilizados em horta comunitária que decidiu “descontinuar este projeto”.

Agora, tanto esta horta comunitária, integrada no projeto “Horta à Porta” da associação intermunicipal Lipor, como a horta terapêutica destinada a utentes do hospital, ficarão vazias em outubro, tendo os hortelãos sido notificados para entregar a chave dos talhões, retirar os seus pertences e fazer a colheita do que restar até 31 de outubro.

Na nota agora divulgada, a SCMP explica que os talhões foram disponibilizados “como parte da missão de serviço à comunidade” da instituição, mesmo com custos superiores ao que recebiam dos contratos anuais de cada hortelão, um valor fixado em 50 euros por ano.

“O acesso às hortas foi sempre efetuado através de uma licença anual, renovável, sendo os utilizadores conhecedores de que a continuidade do projeto dependia das necessidades estratégicas da instituição e da eventual realização de intervenções nas infraestruturas”, acrescentou.

Aquele hospital enfrenta “uma nova etapa da sua evolução, marcada por um conjunto de obras estruturantes destinadas à modernização e valorização das suas instalações”.

“A área atualmente ocupada pelas hortas integra uma das zonas que carece de uma intervenção profunda, tornando inevitável a suspensão desta iniciativa”, pode ler-se em comunicado.

Fica em cima da mesa, para depois da conclusão das obras, a “possibilidade de reorganizar estes espaços” e desenvolver “um novo modelo que privilegie a sua dimensão pedagógica e terapêutica”, admitindo que esse trabalho será “orientado para a comunidade hospitalar”.

“A SCMP reconhece o impacto muito positivo que este projeto teve ao longo dos últimos 10 anos, quer para os participantes quer para a comunidade em geral, agradecendo o envolvimento e a dedicação de todos”, pode ler-se ainda na comunicação enviada à Lusa.

Na carta datada de 29 de maio, a SCMP agradece a todos os utilizadores e parceiros, tendo enviado, na segunda-feira, uma nova missiva a convocar os hortelãos para uma “sessão de informação e esclarecimento”, na sexta-feira, com a presença do vice-provedor, José Dias.

Segundo um hortelão contactado pela Lusa, está prevista uma ação à porta do hospital, na manhã de quinta-feira, contudo, não especificou o que estará em causa.

Questionada pela Lusa, a Lipor, que gere o projeto “Horta à Porta” no qual estão integradas as hortas comunitárias e biológicas dos municípios que integram esta associação intermunicipal, remeteu esclarecimentos para a SCMP, responsável pela gestão do espaço.

Na mesma carta enviada aos utentes, a Santa Casa esclarece que é “detentora de um vasto património cujo rendimento constitui uma das suas principais fontes de sustentação económica”, e é “obrigação” da administração a sua “gestão criteriosa”, para “rentabilização dos ativos da SCMP como fonte de rendimento para as suas múltiplas obras sociais e assistenciais”.

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