A diretora-geral da Saúde afirmou hoje que o surto de hantavírus num navio cruzeiro ao largo de Cabo Verde, que já fez três mortos, é uma “situação circunscrita”, que representa atualmente um baixo risco para Portugal.
Rita Sá Machado adiantou à agência Lusa que a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a acompanhar a situação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito das suas funções e do Regulamento Sanitário Internacional.
Segundo a OMS, foram confirmados pelo menos dois casos de infeção e cinco casos suspeitos por hantavírus a bordo do navio, que permanece ao largo de Cabo Verde.
“A situação atualmente é uma situação circunscrita e por isso mesmo é uma situação que atualmente desempenha um baixo risco para Portugal”, afirmou Rita Sá Machado.
“Não existem medidas preventivas para Portugal. Existem sim medidas que estão a ser equacionadas, neste momento, dentro do navio cruzeiro”, declarou.
A Organização Mundial de Saúde disse hoje que a hipótese mais provável é que a infeção de hantavírus no navio ao largo de Cabo Verde tenha ocorrido fora do cruzeiro.
Questionada sobre esta hipótese, Rita Sá Machado explicou que o período de incubação habitual do hantavírus é entre duas a quatro semanas, mas há períodos “mais atípicos”, que poderão ser entre uma a oito semanas.
Segundo a responsável, a fonte mais provável de infeção é o contacto com os aerossóis da urina, de fezes ou de saliva de roedores, já que os passageiros do navio cruzeiro tiveram “alguma aproximação à vida selvagem e por isso mesmo poderá ter havido contacto”.
Esta também é a hipótese colocada pela OMS como sendo a fonte provável de infeção. Contudo, há outras possibilidades que não podem ser descartadas, afirmou.
“Por isso, é importante, quando se implementam as medidas, estas terem em conta que, por enquanto, ainda é uma fonte desconhecida”, defendeu.
Sobre a possibilidade avançada pela OMS da infeção se poder ter transmitido de pessoa para pessoa, a diretora-geral afirmou ser “uma situação rara”, mas que já aconteceu no passado, explicando que há diferentes tipologias de hantavírus.
Porém, o facto de os primeiros casos surgirem quase todos na mesma altura, indica que a fonte de infeção é comum. “Se nós estivéssemos a falar de uma fonte de infeção entre passageiros, poderíamos já ter mais algum tempo de infeção”, argumentou.
Rita Sá Machado defendeu que o importante é esperar pelos próximos dias e perceber a evolução da situação.
“Quando nós estamos a olhar para um surto, o que é muito relevante é exatamente olharmos para aquela que é um pouco a história cronológica dos acontecimentos, para podermos então chegar a alguma conclusão”, sustentou.
Relativamente ao português que se encontra no navio, disse que apenas sabe que é de nacionalidade portuguesa, mas não reside em Portugal.
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.
Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.
A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.