O Governo espanhol confirmou hoje disponibilidade para receber o cruzeiro com casos de hantavírus e revelou que será tomada uma decisão sobre a escala em função dos "dados epidemiológicos" recolhidos em Cabo Verde, onde o navio está de quarentena.
"Está a ser avaliada a situação com a Organização Mundial da Saúde. Vão tomar-se as medidas necessárias para abordar a situação", disse a ministra porta-voz do Governo de Espanha, Elma Saiz, numa conferência de imprensa em Madrid, após a reunião semanal do Conselho de Ministros.
Elma Saiz disse que o Governo de Espanha e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estavam reunidos no momento em que falava (pouco depois das 13:00 locais, 14:00 em Lisboa).
"Diria que tudo está preparado para a atenção, a avaliação e, se necessário, a desinfeção, se assim o pedir a OMS", disse a ministra, que deixou "uma mensagem de tranquilidade".
Numa publicação nas rede social X, o Ministério da Saúde de Espanha disse estar "a fazer um seguimento de perto, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde e outros países envolvidos, da situação do navio".
"Em função dos dados epidemiológicos que forem recolhidos no barco na sua passagem por Cabo Verde será decidido que escala é mais pertinente", acrescentou o Ministério da Saúde.
A OMS disse hoje que o cruzeiro deverá sair das águas de Cabo Verde e dirigir-se às Canárias, em Espanha, onde será feita uma "investigação epidemiológica completa".
"Estamos a trabalhar com as autoridades espanholas, que irão acolher o navio, tal como nos comunicaram, e irão realizar uma investigação exaustiva, um investigação epidemiológica completa, uma desinfeção total do navio e, claro, avaliar o risco dos passageiros que se encontram a bordo", disse a diretora na OMS para a Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, numa conferência de imprensa em Genebra.
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.
Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.
A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.
Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.
Os cinco casos suspeitos são os dois passageiros que morreram a 11 de abril (um homem) e a 02 de maio (uma mulher) e os três casos que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.
Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infetados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.
Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.
A maioria dos hantavírus não se transmite de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado principalmente em partes da América do Sul e que já mostrou conseguir espalhar-se entre humanos.
Ainda não se sabe se a transmissão no surto atual ocorreu por exposição ambiental ou entre pessoas e qual a origem da infeção. O hantavírus específico envolvido também ainda não foi identificado.
A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.