Moçambique registou 18 novos casos de sarampo no início de março, elevando a 697 doentes, além de um morto, o total do atual surto, em cerca de sete meses, segundo dados oficiais consultados pela Lusa.
Conforme o Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP) e que compila dados de 29 de julho de 2025, início do presente surto, até 08 de março, os casos da doença estão concentrados no centro e norte do país, com um morto, em Nampula.
No balanço anterior da DNSP estavam contabilizados até 25 de fevereiro um total de 679 doentes.
As províncias mais afetadas são Sofala, no centro do país, que conta atualmente com um acumulado de 238 casos, Nampula (195), Niassa (115) e Zambézia (102), sendo que continuam a registar novos doentes todas as semanas.
"O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos", alerta a Direção Nacional de Saúde Pública, pedindo a todos os pacientes com sintomas para se dirigirem às unidades de saúde.
O surto iniciou-se dois anos após uma campanha de vacinação, que, em agosto de 2023, em menos de uma semana, abrangeu cinco milhões de crianças, até aos 04 anos e 9 meses, um número acima do inicialmente estimado, anunciaram então as autoridades, sublinhando que o objetivo foi evitar um surto da doença em cinco províncias.
A campanha de vacinação contra o sarampo e rubéola de todas as crianças dos 09 aos 59 meses decorreu de 31 de julho a 04 de agosto de 2023, em todos os distritos das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, bem como em nove distritos da província de Niassa.
Em conferência de imprensa realizada em agosto de 2023 em Maputo, o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, recordou que a operação, que custou cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) e mobilizou 38 mil técnicos, entre vacinadores, registadores, mobilizadores, previa vacinar 4,8 milhões de crianças.
"Conseguimos alcançar e superar esses números, vacinando cerca de cinco milhões de crianças", apontou.
"É importante que mais uma vez faça o realce de que estes locais foram selecionados porque são aqueles onde nós temos maior número de crianças na nossa avaliação, crianças que não tinham a vacinação contra o sarampo”, sublinhou Quinhas Fernandes.
As perturbações relacionadas com efeitos combinados da pandemia de covid-19 e o aparecimento de outras emergências de saúde pública, admitiu anteriormente o Governo moçambicano, pressionaram os serviços de vacinação e a oferta de outros pacotes de prevenção, incluindo a desparasitação, o que aumentou os riscos de grandes surtos de sarampo no país.
Anteriormente, de janeiro de 2020 até junho de 2023, Moçambique registou 2.565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas províncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afetando sobretudo menores de 05 anos.