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Malária matou 16 pessoas na província moçambicana de Sofala este ano

Lusa
25-04-2026 21:49h

Pelo menos 16 pessoas morreram este ano de malária na província de Sofala, centro de Moçambique, contra nove óbitos registados em 2025, anunciaram hoje as autoridades, que reforçaram os apelos ao uso correto de redes mosquiteiras.

"Nós, infelizmente, estamos a registar muitos casos de malária na nossa província. Foram, infelizmente, registados ainda neste período 16 óbitos contra nove registados em igual período do ano passado", disse hoje o secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues, durante as celebrações do Dia Mundial da Luta contra a Malária, no distrito de Nhamatanda.

O responsável explicou que a taxa de incidência provincial da malária passou de 68 casos por 1.000 habitantes, em 2025, para 129 casos por 1.000 habitantes em 2026, números que, para o secretário de Estado provincial, indicam claramente que a malária continua a constituir um sério problema de saúde pública na região, exigindo de todos um esforço na realização de ações coletivas para reduzir a sua incidência.

A província de Sofala registou no mesmo período mais de 370 mil casos de malária, contra mais de 190 mil do ano passado.

"Portanto, como podem ver, nós estamos a perder muitos dos nossos concidadãos. É caso para dizermos que este problema de malária é sério e deve ser encarado com a necessária seriedade por todos nós. (...) Cada um deve refletir por forma a contribuirmos e termos malária zero na província de Sofala", assinalou Manuel Rodrigues.

Lourenço Bulha, governador de Sofala, reforçou na ocasião o apelo à prevenção, insistindo no uso correto de redes mosquiteiras, eliminação de criadouros e maior envolvimento das comunidades no combate à malária.

O Governador da província de Tete, Domingos Viola, anunciou hoje que aquela província, também do centro do país, registou 258.057 casos de malária - que resultaram em nove óbitos -, contra 247.742, de 2025, o que representa um aumento de 4,2%.

Apesar do aumento de casos, viola destacou que o Governo continuará a trabalhar para inverter a situação, através de distribuição de redes nas consultas pré-natais às mulheres grávidas, vacinação contra a malária às crianças dos 6 aos 18 meses e a campanha de quimioprevenção sazonal da malária, estando agora prevista a distribuição de mais de dois milhões de redes mosquiteiras na região.

"Devemos adotar medidas simples que exigem menos custos, que mostrem resultados e cada indivíduo, onde quer que se encontre, deve transformar o ambiente que o rodeia num ambiente livre do mosquito, e dos criadores desse mesmo mosquito", defendeu o governador, no distrito de Changara.

Dados enviados à Lusa em 01 de abril indicam que pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos.

Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas de 2026 em Moçambique, entre 1.357.891 infetados, avançaram, em fevereiro, as autoridades de saúde moçambicanas.

De acordo com dados apresentados pelo diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55% este ano, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876.498 casos, mas o número de óbitos baixou 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.

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