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Parlamento moçambicano assume papel mobilizador na resposta à malária

Lusa
25-04-2026 21:50h

A Assembleia da República (AR) de Moçambique assumiu hoje o compromisso de desempenhar um papel ativo na resposta à malária, com a criação de uma Frente Parlamentar para reforçar a articulação entre os diferentes intervenientes sociais e estatais.

"Torna-se imperioso elevar esta causa aos mais altos níveis da agenda política nacional. A criação da Frente Parlamentar traduz o compromisso da Assembleia da República de Moçambique em assumir um papel ativo e mobilizador na resposta nacional à malária", disse hoje Lucília Hama, representante da AR, durante a cerimónia de celebração do Dia Mundial de Luta contra a Malária, assinalado hoje em Maputo.

Segundo a responsável, num contexto em que o país registou cerca de três milhões de casos e 173 mortes por malária nos primeiros três meses do ano, a iniciativa visa reforçar a articulação entre o parlamento, o Governo, parceiros de desenvolvimento, setor privado e sociedade civil.

"Temos redes mosquiteiras sim, mas as redes não são usadas de forma correta, já vimos isso nas nossas comunidades. Nós também teremos o trabalho de fazer advocacia nas comunidades sobre a forma correta da vida, tendo em conta as mudanças climáticas", assinalou, reiterando que não basta apenas o tratamento, "há trabalho também preventivo e o deputado estará em frente deste trabalho".

Ussene Isse, ministro da Saúde moçambicano, disse na ocasião que a malária é um problema sério de saúde pública, que pode colocar em causa o desenvolvimento de qualquer país.

"O desenvolvimento de qualquer nação precisa de gente saudável, gente com saúde. Por isso, vamos dizer que a saúde não é gasto, a saúde é investimento. Investir na saúde em investir para o desenvolvimento socioeconómico de qualquer nação", concluiu.

 Pelo menos 16 pessoas morreram este ano de malária na província de Sofala, centro de Moçambique, contra nove óbitos registados em 2025, anunciaram hoje as autoridades, que reforçaram os apelos ao uso correto de redes mosquiteiras.

"Nós, infelizmente, estamos a registar muitos casos de malária na nossa província. Foram, infelizmente, registados ainda neste período 16 óbitos contra nove registados em igual período do ano passado", disse hoje o secretário de Estado da província de Sofala, Manuel Rodrigues, durante as celebrações do Dia Mundial da Luta contra a Malária, no distrito de Nhamatanda.

O responsável explicou que a taxa de incidência provincial da malária passou de 68 casos por 1.000 habitantes, em 2025, para 129 casos por 1.000 habitantes em 2026, números que, para o secretário de Estado provincial, indicam claramente que a malária continua a constituir um sério problema de saúde pública na região, exigindo de todos um esforço na realização de ações coletivas para reduzir a sua incidência.

O Governador da província de Tete, Domingos Viola, anunciou hoje que aquela província, também do centro do país, registou 258.057 casos de malária - que resultaram em nove óbitos -, contra 247.742 em 2025, um aumento de 4,2%.

Dados enviados à Lusa em 01 de abril indicam que pelo menos 496 pessoas morreram vítimas de malária em Moçambique em 2025, um aumento de 39% em comparação com 2024, ano em que foram registados 358 óbitos.

Pelo menos 49 pessoas morreram de malária nas primeiras seis semanas de 2026 em Moçambique, entre 1.357.891 infetados, avançaram, em fevereiro, as autoridades de saúde moçambicanas.

De acordo com dados apresentados pelo diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, os casos de malária aumentaram 55% este ano, face ao mesmo período do ano passado, em que foram registados 876.498 casos, mas o número de óbitos baixou 38%, quando em 2025 morreram 79 pessoas.

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