As autoridades de saúde moçambicanas registaram nos últimos seis meses 598 casos de sarampo, num surto que provocou, pelo menos, um morto, segundo o último relatório da Direção Nacional de Saúde Pública (DNSP).
O Resumo Epidemiológico do Sarampo, elaborado pela DNSP, que compila dados de 29 de julho de 2025, início do presente surto, a 16 de janeiro, revela que os casos da doença estão concentrados no centro e norte do país.
Nas 24 horas anteriores ao fecho do boletim, as autoridades sanitárias confirmaram mais um caso da doença, acompanhado em ambulatório, elevando a 21 os pacientes que tiveram necessidade de internamento hospitalar.
Neste período de cerca de seis meses, a província de Nampula registou 176 casos e um morto, Sofala 178 casos, Niassa 104 e Zambézia 96. Há registo de casos de sarampo ainda nas províncias de Manica (37) e Maputo (sete).
"O sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, geralmente grave em menores de 05 anos", alerta a Direção Nacional de Saúde Pública, pedindo a todos os pacientes com sintomas para se dirigirem às unidades de saúde.
Este surto ocorreu dois anos após uma campanha de vacinação, que, em agosto de 2023, em menos de uma semana, abrangeu cinco milhões de crianças, até aos 4 anos e 9 meses, um número acima do inicialmente estimado, anunciaram então as autoridades, sublinhando que o objetivo foi evitar um surto da doença em cinco províncias.
A campanha de vacinação contra o sarampo e rubéola de todas as crianças dos 09 aos 59 meses decorreu de 31 de julho a 04 de agosto de 2023, em todos os distritos das províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, bem como em nove distritos da província de Niassa.
Em conferência de imprensa realizada em agosto de 2023 em Maputo, o diretor nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, recordou que a operação, que custou cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) e mobilizou 38 mil técnicos, entre vacinadores, registadores, mobilizadores, previa vacinar 4,8 milhões de crianças.
“Conseguimos alcançar e superar esses números, vacinando cerca de cinco milhões de crianças”, apontou Quinhas Fernandes.
“É importante que mais uma vez faça o realce de que estes locais foram selecionados porque são aqueles onde nós temos maior número de crianças na nossa avaliação, crianças que não tinham a vacinação contra o sarampo”, sublinhou.
As perturbações relacionadas com efeitos combinados da pandemia de covid-19 e o aparecimento de outras emergências de saúde pública, admitiu anteriormente o Governo moçambicano, pressionaram os serviços de vacinação e a oferta de outros pacotes de prevenção, incluindo a desparasitação, o que aumentou os riscos de grandes surtos de sarampo no país.
Anteriormente, de janeiro de 2020 até junho de 2023, o país registou 2.565 casos de sarampo, 80% dos quais notificados nas províncias de Niassa (norte) e Zambézia, Tete, Manica e Sofala (centro), afetando sobretudo menores de 05 anos.
Antes da campanha de vacinação de 2023, Moçambique tinha realizado, pela última vez, entre os meses de abril e maio de 2018, a campanha nacional de vacinação contra sarampo e rubéola, tendo vacinado então cerca de 13 milhões de crianças, o que resultou numa redução significativa dos casos nas províncias mais afetadas.