Cerca de 6,4 milhões de crianças com menos de 5 anos sofrem de desnutrição aguda devido ao conflito que assola o nordeste, noroeste e centro-norte da Nigéria, anunciou hoje o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
"As crianças, bem como as mulheres grávidas e lactantes, são as que correm maior risco. Em zonas de difícil acesso, especialmente em Borno e partes de Yobe [nordeste], as taxas de desnutrição aguda grave permanecem persistentemente elevadas", afirmou o CICV num comunicado.
Segundo o Comité, as populações ao não terem acesso a "terras aráveis, nem a rendimentos estáveis", faz com que haja deslocamentos, insegurança alimentar e desnutrição, sendo que "as crianças costumam ser as primeiras a sofrer".
O organismo referiu que esta situação de necessidade entre a população se junta a uma "pressão crescente" sobre o setor humanitário devido à escalada da violência e à redução do financiamento dos seus programas de ajuda.
Face a esta situação, o CICV prestou assistência em 2025 a mais de 348 mil pessoas, incluindo 16 mil crianças com menos de cinco anos e 19 mil mulheres grávidas e lactantes, em diferentes centros de cuidados primários nos estados de Borno, Adamawa e Yobe.
"Atendemos uma média de mais de mil crianças menores de cinco anos por ano. Para manter os progressos alcançados durante o internamento, as crianças recebem um suprimento de alimentos terapêuticos prontos para consumo para duas semanas ao receberem alta", disse o especialista em nutrição do Comité, Bob Wonder Panama.
O conflito que assola a Nigéria deve-se aos ataques dos grupos terroristas, como o Boko Haram e o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP, na sigla inglesa), que pretendem impor um Estado islâmico no país, onde a maioria da população é muçulmana no norte e predominantemente cristã no sul.
O Boko Haram e o ISWAP mataram mais de 35 mil pessoas, muitas delas muçulmanas, e causaram cerca de 2,7 milhões de deslocados internos, principalmente na Nigéria, mas também em países vizinhos como Camarões, Chade e Níger.