A Comissão de Utentes da Saúde do Concelho do Seixal (CUSCS) lamentou hoje a morte do munícipe que morreu na terça-feira, após a demora no socorro, classificando a situação como um caso “de uma enorme gravidade”.
“A Comissão de Utentes entende que este caso é de uma enorme gravidade e vem somar-se a outros que vêm ocorrendo por todo o país há muito tempo, com especial agravamento nos últimos meses, com a diminuição da oferta dos serviços de saúde públicos em todas as áreas, cuja exclusiva responsabilidade só pode ser acometida ao Governo, ao Ministério da Saúde e à Direção Executiva do SNS”, criticou a CUSCS, em comunicado.
Para a organização, existe uma desvalorização no setor público, considerando que tem "como propósito final a privatização do SNS, ou da maioria dos seus serviços".
Segundo a nota, a prova desse objetivo “é o mega investimento dos grupos financeiros no crescimento exponencial de hospitais e serviços de saúde privados, a par do aumento do número de seguros de saúde a que a esmagadora maioria da população não conseguirá jamais aceder”.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu um inquérito ao caso do homem que morreu no Seixal depois de ter esperado cerca de três horas por socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Em resposta à Lusa, a IGAS explicou hoje que o inquérito irá "investigar a qualidade do serviço na perspetiva da prontidão, designadamente por parte do INEM".
Na terça-feira, um homem de 78 anos morreu depois de ter estado cerca de três horas à espera de socorro do INEM, apesar de ter sido classificado como prioridade 3 (resposta em 60 minutos).