O PCP e o Chega anunciaram hoje que vão requerer a audição parlamentar da ministra da Saúde sobre o INEM, enquanto o BE pediu a demissão de Ana Paula Martins, também defendida pelo PAN.
A IL defendeu a reforma do INEM e o Livre pediu explicações ao primeiro-ministro e a ministra da Saúde, considerando difícil a sua continuidade no cargo. O Chega quer também ouvir o diretor executivo do SNS e o presidente do INEM, cuja audição parlamentar já foi requerida pelo PS.
Os partidos com assento parlamentar tomaram estas posições em declarações sucessivas nos Passos Perdidos da Assembleia da República, em reação à morte de um homem no Seixal, no distrito de Setúbal, na terça-feira, após cerca de três horas à espera de socorro do INEM.
O PS convocou a comunicação social para uma declaração no parlamento, após apresentar um requerimento para ouvir o presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), e através da deputada e antiga ministra Mariana Vieira da Silva pediu respostas ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, acusando a ministra da Saúde de fugir sistematicamente às suas responsabilidades.
De seguida, o líder parlamentar do IL criticou a atual capacidade de resposta de emergência pré-hospitalar, pela qual corresponsabilizou o atual Governo PSD/CDS-PP e a anterior governação do PS, salientou a comissão de inquérito parlamentar em curso sobre o INEM, proposta pelo seu partido, e defendeu que é tempo de reformar este instituto.
"Quanto à senhora ministra da Saúde, chegou a sua hora, é hora de tomar decisões, é hora de reformar o INEM, é hora de resolver os problemas, já não há desculpas", declarou Mário Amorim Lopes, sem pedir para já a demissão de Ana Paula Martins.
O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, afirmou que "Ana Paula Martins perdeu o respeito", tornou-se "um problema" e deve sair "de uma vez por todas".
Sobre a morte ocorrida no Seixal, Fabian Figueiredo considerou que "podia ter sido evitada" e disse querer "saber se foi o sistema de triagem que falhou ou se o problema foi da falta de ambulância".
A porta-voz e deputada única do PAN, Inês Sousa Real, acusou o Governo de não ter executado as normas orçamentais para o reforço de técnicos do INEM em 2025 e de estar a "desmantelar o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", e concordou que "a senhora ministra da Saúde não tem condições políticas para continuar".
Pelo PCP, a líder parlamentar Paula Santos anunciou que o seu partido vai "requerer a audição da ministra da Saúde na Comissão de Saúde", considerando que esta morte "reflete o desinvestimento neste caso no INEM e na saúde", mas discordou que uma eventual mudança de ministro, com "a mesma política", resolva o problema.
Paula Santos alertou que "o facto de as ambulâncias ficarem muito tempo retidas nos serviços de urgência hospitalares, tendo em conta os tempos de espera, também reduz a disponibilidade dos meios de emergência", assim como terem de "fazer deslocações superiores" por encerramento de urgências.
Depois, a deputada do Chega Marta Silva anunciou que o seu grupo parlamentar iria submeter "um requerimento para audição urgente, não só do presidente do INEM, mas também do diretor executivo e da ministra da Saúde", criticando a concentração de urgências sem "um reforço robusto" dos meios de emergência pré-hospitalar.
Para o Chega, "o problema do INEM e da resposta dos meios ao nível da emergência pré-hospitalar é de há muitos anos", com responsabilidades também do anterior Governo do PS que, com maioria absoluta, "tinha nas suas mãos a capacidade operacional para resolver o assunto, se assim o entendesse", afirmou.
Mais tarde, o deputado do Livre Paulo Muacho responsabilizou o primeiro-ministro e a ministra da Saúde e defendeu que "alguém tem de vir a público dar a cara por aquilo que se está a passar, pedir desculpa aos portugueses e garantir que se está a resolver a situação".
Sem querer pedir a demissão da ministra, considerou que "já vai sendo difícil a ministra continuar no cargo".