A Associação Social Amigos de Samora Correia (ASASC) exigiu a reposição das juntas médicas e do atendimento presencial regular da Segurança Social na freguesia, considerando que os constrangimentos verificados nos últimos meses prejudicam milhares de utentes e empresas.
Num manifesto enviado hoje à Lusa e dirigido à diretora do Centro Distrital da Segurança Social de Santarém, Paula Carloto de Castro, a associação critica a transferência das juntas médicas para Santarém, a mais de 50 quilómetros de distância, alegando que a medida penaliza pessoas com “limitações físicas, económicas ou sociais, devido às deslocações mais longas e aos custos associados”.
As juntas médicas da Segurança Social deixaram de funcionar em Samora Correia e foram transferidas para Santarém, uma decisão que o Centro Distrital da Segurança Social de Santarém enquadrou num processo de "reestruturação e otimização de espaços".
A Segurança Social garantiu na altura que a medida não estava relacionada com a investigação judicial que envolveu a médica Emuna Mia, ligação que chegou a ser levantada no debate público local.
A mudança foi contestada por associações e forças políticas locais, que alertaram para os constrangimentos criados aos utentes obrigados a deslocar-se à capital de distrito para realizar estas avaliações médicas.
No documento enviado à Lusa, a entidade defende que as juntas médicas devem regressar à freguesia “no prazo máximo de 30 dias”, considerando existirem condições adequadas para a sua realização sem aumento de encargos para a Segurança Social.
A ASASC considera também insuficiente a solução de atendimento presencial limitada a um dia por semana, sustentando que essa resposta “não corresponde às necessidades da população nem à dimensão da freguesia”.
A associação argumenta que a situação afeta sobretudo “cidadãos com menores rendimentos, sem viatura própria ou dependentes de transportes públicos”.
No manifesto, os subscritores pedem o alargamento do atendimento presencial para, pelo menos, três dias por semana até ao final de 2026 e a reposição do funcionamento regular durante os cinco dias úteis da semana até junho de 2027.
A associação refere ainda que o próprio atendimento da Segurança Social em Samora Correia enfrentou problemas de funcionamento ao longo de 2026 devido à falta de recursos humanos.
O serviço esteve encerrado durante vários meses, com os utentes a serem encaminhados para os balcões de Benavente e Salvaterra de Magos, situação que causou um “grave prejuízo” a cidadãos, trabalhadores, pensionistas, desempregados, pessoas com incapacidade e famílias em situação de vulnerabilidade, escreve a associação.
Segundo a ASASC, Samora Correia, com cerca de 20 mil habitantes e mais de 1.200 empresas, necessita “de uma resposta dos serviços públicos compatível com o crescimento populacional e empresarial” registado nos últimos anos.
A associação reconhece as dificuldades resultantes da falta de trabalhadores na Segurança Social, mas sustenta que os cidadãos não devem suportar “as consequências da escassez de recursos humanos” e defende melhores condições de trabalho e valorização profissional para os funcionários do setor.
No documento, a ASASC afirma que a Câmara Municipal de Benavente tem demonstrado disponibilidade para colaborar na procura de soluções e apela à Segurança Social e ao Governo para que assumam compromissos concretos quanto à reposição do normal funcionamento do serviço local.
A associação apresenta ainda várias propostas como a celebração de contratos-programa entre a Segurança Social e o município para reforço temporário dos recursos humanos, a “criação de mecanismos de cooperação institucional para garantir a continuidade dos serviços em situações críticas” e alterações às regras de recrutamento para facilitar a contratação de profissionais.