As recentes declarações do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que sugeriu o regresso das taxas moderadoras na Interrupção Voluntária da Gravidez para travar um alegado recurso abusivo por parte de mulheres imigrantes, geraram fortes críticas no programa “Check Up” do Canal S+ (posição 129). Patrícia Silva Pereira e Alexandre Tomás rejeitaram as afirmações, recorrendo aos relatórios da Direção-Geral da Saúde para desmontar o que classificaram como desinformação.
Patrícia Silva Pereira, Presidente da Escola Superior de Enfermagem da Universidade de Lisboa, alertou para o erro de isolar estatísticas fora do contexto demográfico. A especialista leu as conclusões do relatório da DGS para justificar a taxa de 44,2% de interrupções realizadas por mulheres não-portuguesas em 2025.
A especialista contrariou ainda a narrativa de que a IVG estaria a ser banalizada como método contraceptivo, destacando que o número total de casos se manteve praticamente inalterado (18.869) face ao ano anterior e que a esmagadora maioria destas mulheres passou pelo procedimento pela primeira vez.
Alexandre Tomás, Vogal do Conselho de Administração da ULS Loures Odivelas, acompanhou as críticas, sublinhando que a IVG é uma questão de saúde pública e de saúde da mulher, rejeitando a aplicação de barreiras financeiras a este cuidado.
No final da análise, Patrícia Silva Pereira alertou ainda que a faixa etária com a segunda maior incidência de interrupções se situa entre os 20 e os 24 anos, sublinhando que os esforços do país devem focar-se em políticas efetivas de planeamento familiar e no regresso de uma forte aposta na educação sexual nas escolas.
O programa Check-Up faz todas as semanas a análise da atualidade da saúde, com moderação da jornalista Vera Arreigoso. À sexta-feira, pelas 22h, no Canal S+, na posição 129 da sua box de televisão.