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Novo centro de simulação clínica prepara alunos de Leiria para a emergência

LUSA
23-10-2026 08:44h

A Escola Superior de Saúde de Leiria (ESSLei) reforçou o Centro de Simulação em Saúde (C2S) com novos equipamentos, o que permite treinar os estudantes em cenários clínicos com simulação de alta-fidelidade e imersiva.

Instalado no Centro de Inovação em Tecnologias e Cuidados de Saúde (ciTechCare) da Universidade de Leiria e Oeste, o C2S já existia, mas a sua requalificação, com a aquisição de novos equipamentos, permite agora recriar cenários clínicos para treinar competências no cuidado ao doente crítico.

O coordenador do C2S, Hugo Duarte, destacou à agência Lusa que esta é uma mais-valia na aprendizagem dos alunos dos vários cursos da ESSLei, pois “vai treiná-los para situações de urgência e emergência, numa fase anterior aos estágios".

Segundo referiu, "os estudantes podem desenvolver as suas competências técnicas e não técnicas no C2S, potenciando, por exemplo, nos estudantes de Enfermagem, competências para o contexto de urgência e de cuidados intensivos”.

“A ideia é prepará-los para contextos ‘padrão’ que poderão encontrar na sua prática”, acrescentou o também subdiretor da ESSLei.

Durante uma das aulas práticas do 4.º ano de Enfermagem que a agência Lusa acompanhou ouve-se ‘Stayin’ Alive’, música dos Bee Gees que está provada cientificamente ter o ritmo ideal para as compressões cardíacas.

Debruçados sobre um manequim-simulador, alguns estudantes procuram reverter uma situação de paragem cardiorrespiratória. A música ajuda-os a ter o ritmo certo nas manobras executadas, confessaram no final.

Os sinais vitais apresentados nos monitores, tal como num hospital, vão indicando a resposta do ‘doente’: “O manequim pode emitir sons que reproduzem o vómito, a tosse, um grito e até responder a perguntas simples”, revelou Hugo Duarte, que referiu que todo o cenário desafia os alunos a tomar decisões, “potenciando o seu pensamento crítico e raciocínio clínico”.

Em determinadas situações pode ser necessário “desfibrilhar, para voltar a pôr o coração a funcionar, administrar medicação ou ventilar com recurso a um insuflador ou ventilador mecânico”, exemplificou, notando que o contexto pode-se ir alterando conforme as informações que o docente dá ao simulador.

O C2S está equipado com monitores desfibrilhadores, monitores multiparâmetros, bombas infusoras, seringas infusoras, um ecógrafo, um ventilador, um videolaringoscópio, entre outros, que contribuem para exercitar a atuação face a problemas cardíacos ou pulmonares.

Além das manobras de reanimação, os estudantes podem treinar a administração de terapêutica, a intubação endotraqueal e a utilização de equipamentos semelhantes aos encontrados nas instituições de saúde.

Hugo Duarte notou que as competências técnicas não são o único foco da preparação dos alunos para a sua profissão: “Para ser um profissional de excelência, não basta apenas saber fazer a técnica. É preciso ter uma boa comunicação em equipa, saber liderar em determinado cenário, gerir a ansiedade e potenciar o pensamento crítico para a sua tomada de decisão”.

O espaço está equipado ainda com colunas, som e câmaras de vídeo 360º, que permitem gravar as práticas dos estudantes para um “’debriefing’ ‘a posteriori’ dos cenários desenvolvidos”.

A aquisição dos novos equipamentos, num investimento de cerca de 65 mil euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, não serve apenas os estudantes. O C2S está acreditado como centro formativo do Instituto Nacional de Emergência Médica para o curso de suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa.

Paralelamente, está a ser desenvolvido um projeto de investigação em parceria com a Unidade Local de Saúde da Região de Leiria.

“Vamos colocar simuladores de alta-fidelidade na sala de emergência do Serviço de Urgência Geral do hospital, criando um ambiente de simulação ‘in-situ’ para treinar competências técnicas e não técnicas nos profissionais de saúde”.

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