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Ordem dos Médicos quer esclarecimentos urgentes sobre “erros” na escolha de especialidade

LUSA
22-10-2026 18:29h

A Ordem dos Médicos exigiu hoje “esclarecimentos urgentes” sobre os erros registados na plataforma que os novos médicos estão a utilizar para escolher a sua formação na especialidade, avisando que nenhum candidato pode ser prejudicado nesse processo.

Em comunicado, o Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI) da ordem manifestou “profunda preocupação com os problemas identificados” nas últimas horas com a plataforma de escolha de vagas para a formação especializada, apontando erros na alocação de vagas e “outros constrangimentos ocorridos antes do encerramento do primeiro lote”.

Os novos médicos estão a escolher este ano, pela primeira vez, a sua formação especializada de forma 'online', através de uma plataforma que substitui a presença física dos candidatos, num processo que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) comparou ao utilizado nas candidaturas ao ensino superior.

A colocação dos primeiros médicos que concorreram ao internato teve hoje de ser repetida, mas os candidatos ficaram colocados de acordo com a sua posição na lista de ordenação, adiantou a ACSS, entidade que gere o concurso para o ingresso dos novos médicos.

O algoritmo de colocação relativo ao lote 1 “foi executado hoje, pela primeira vez, às 10:00, havendo necessidade de repetir o procedimento, o que aconteceu às 11:48”, reconheceu a ACSS, adiantando que a possibilidade de repetir o procedimento esteve sempre prevista e não implicou qualquer alteração às preferências submetidas pelos candidatos dentro do prazo estabelecido.

“Num processo com esta importância para o percurso profissional e pessoal dos jovens médicos, não é aceitável que ocorram erros graves, nem que falhe uma comunicação imediata, clara e inequívoca com todos os candidatos”, alertou a presidente CNMI, Catarina Dourado, citada no comunicado.

Para o conselho nacional desta área, é indispensável que a ACSS comunique de “forma clara, direta, transparente e atempada com todos os candidatos”, exigindo ainda que devem ser “esclarecidos os problemas identificados, as respetivas implicações e as medidas adotadas” para assegurar a sua correção.

O CNMI recordou também que tem alertado para os riscos associados à implementação da plataforma, defendendo, desde a primeira hora, que a sua entrada em funcionamento fosse adiada para o próximo concurso e insistindo na necessidade de um “plano de contingência claro, previamente definido e comunicado atempadamente aos candidatos”.

“A ACSS tem de esclarecer imediatamente o que está a acontecer, corrigir todos os erros e garantir que nenhum candidato é prejudicado. A Ordem dos Médicos continuará a acompanhar este processo e a defender os direitos dos médicos”, salientou o bastonário Carlos Cortes, também citado no comunicado.

O processo de colocação dos candidatos às vagas disponíveis para as especialidades médicas arrancou hoje, com a realização do primeiro dos 17 lotes de candidatos que terão de submeter as suas escolhas na plataforma ao longo dos próximos dias.

Neste primeiro lote realizado hoje foram colocados 161 médicos. Do total de 2.338 lugares para a formação especializada, sobram para os 16 restantes lotes 2.177 vagas.

Em setembro, a ACSS referiu que estavam previstas medidas de contingência para responder a ocorrências que possam comprometer as colocações, com o sistema a registar cada colocação, a atualizar o estado da candidatura e o número de vagas disponíveis e a manter um histórico do processamento.

Até agora, os médicos que se candidatavam ao internato tinham de comparecer num determinado dia e hora nos únicos locais de escolha de vagas disponíveis em Lisboa, Porto, Coimbra, Funchal e Ponta Delgada, mas este ano, com o novo modelo, passam a poder candidatar-se de forma digital.

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