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Conselho de Ilha de São Miguel dá parecer desfavorável ao Plano e Orçamento dos Açores

Lusa
21-10-2026 16:50h

O Conselho de Ilha de São Miguel (CISM) emitiu, por unanimidade, um parecer desfavorável condicionado à anteproposta do Plano e Orçamento dos Açores para 2027, considerando que as verbas previstas ficam aquém das necessidades da ilha, foi hoje anunciado.

Em causa estão os investimentos considerados prioritários para São Miguel, nomeadamente nas áreas da saúde, da conectividade aérea, das infraestruturas portuárias e da logística, da segurança e da educação, segundo refere o órgão consultivo em nota de imprensa, após reunião realizada hoje.

Apesar de reconhecer que o Plano "acolhe uma parte relevante das intervenções pedidas pela ilha", o órgão sustenta que o documento "não acolhe os compromissos plurianuais nem os marcos que o Conselho fixou para os cinco projetos críticos e mantém São Miguel muito abaixo do seu peso demográfico na repartição do investimento".

Entre as principais preocupações identificadas está a falta de compromissos plurianuais e de calendários concretos para a execução de projetos considerados prioritários.

O CISM destaca, em particular, a ausência de "um compromisso plurianual" no âmbito da requalificação do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), e a inexistência de verbas para o Fundo de Desenvolvimento de Rotas e a falta de estudos e projetos para as infraestruturas portuárias e algumas ligações rodoviárias consideradas estratégicas.

O Conselho de Ilha de São Miguel alerta também que se trata de um "Plano de transição, com menos margem para investimento novo", sendo o primeiro plano pós-PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).

Aquele órgão consultivo reconhece que as ilhas mais pequenas "têm custos fixos e indivisibilidades que elevam o investimento por habitante", mas, "mesmo retirando as rubricas não comparáveis, São Miguel fica um terço abaixo da média" e a maior ilha dos Açores "recebe muito menos do que o seu peso".

Na área da educação, o Conselho aponta a ausência de intervenções consideradas prioritárias, nomeadamente na Escola Secundária Domingos Rebelo, bem como a falta de medidas específicas para combater o absentismo e reforçar a qualificação.

Ainda no entender do Conselho de Ilha de São Miguel, "as dependências e sem-abrigo" ficam "sem resposta à escala da ilha".

Por outro lado, "o estabelecimento prisional, o reforço da PSP, os edifícios do Estado e a comparticipação de 85% no HDES não cabem no Plano", aponta o parecer.

O Conselho de Ilha de São Miguel reconhece o contexto de "menor disponibilidade financeira" do primeiro plano pós-PRR e regista os investimentos inscritos na educação, na saúde de proximidade, na rede viária e na orla costeira, mas sustenta que a anteproposta "não dá resposta suficiente às prioridades críticas da ilha, nem à sua dimensão demográfica e económica".

O CISM recorda que solicitou audições aos grupos parlamentares, agendadas para 29 de outubro, com o objetivo de apresentar as questões e preocupações identificadas no âmbito da análise dos documentos e de “defender os interesses de São Miguel”.

O Conselho reafirma a sua disponibilidade para acompanhar a execução e afirma que vai avaliar "publicamente, em cada reunião ordinária, o grau de cumprimento dos marcos".

A anteproposta de Plano dos Açores para 2027 prevê um investimento global de 1.057 milhões de euros, 650 ME de “responsabilidade direta” do Governo Regional.

A discussão e votação do Plano e Orçamento dos Açores para 2027 vai acontecer em novembro na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, na ilha do Faial.

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