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Presidente indonésio denuncia “terrorismo ambiental interno” devido aos incêndios

Lusa
21-10-2026 13:31h

O Presidente da Indonésia condenou hoje países que alegadamente insultam o Estado indonésio, bem como atos de “terrorismo ambiental” no país, face aos fumos tóxicos provocados pelos incêndios florestais e a ação judicial interposta por cidadãos indonésios.

“Alguns países gostam de insultar a nação indonésia. Quando chegar o momento, revelaremos as empresas envolvidas”, declarou Prabowo Subianto durante uma reunião governamental, afirmando que “muitas companhias têm responsabilidades” nesta crise.

O Presidente não identificou empresas nem países.

“A Indonésia é uma nação educada e paciente. O nosso país é frequentemente insultado, mas, acreditem, a nossa nação não quer continuar a ser insultada”, frisou o chefe de Estado indonésio.

Os dirigentes dos países vizinhos da Indonésia, também afetados pelos fumos tóxicos, ofereceram ajuda, evitando críticas abertas ao mais alto nível diplomático. No entanto, na semana passada, um deputado malaio proferiu declarações contundentes.

“Os incêndios florestais na Indonésia devem ser tratados como os párias da região”, declarou Syed Saddiq Syed Abdul Rahman.

Os fumos poluíram o ar até atingir níveis perigosos também na Malásia, em Singapura e em Timor-Leste, levando a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) a convocar uma reunião sobre a crise.

Hoje, habitantes de Kalimantan, a parte indonésia da ilha de Bornéu, instaram o Governo a intensificar o combate aos incêndios, enquanto um tribunal de Pontianak começava a analisar a admissibilidade de uma ação judicial interposta contra o Estado por habitantes desta província, com cerca de seis milhões de pessoas.

“Esta ação judicial é uma forma de exigir que o Governo seja responsabilizado pela gestão dos incêndios florestais e dos incêndios em terrenos”, afirmou Achmad Mundzirin, ativista de 36 anos de Pontianak. Prabowo Subianto considerou, por sua vez, que as causas dos incêndios “não são exclusivamente naturais”.

“A população também deteve várias pessoas que atearam incêndios deliberadamente, o que é algo que podemos considerar terrorismo ambiental”, declarou o Presidente indonésio, prometendo uma investigação aprofundada.

A ação judicial coletiva foi apresentada por “negligência, omissão e falhas” do Governo que terão provocado “uma grave crise de saúde pública” na província de Kalimantan Ocidental.

O processo visa Prabowo Subianto e 26 responsáveis dos governos nacional, provincial e local, bem como das forças policiais e dos serviços de emergência.

“O Presidente tem de assumir diretamente a gestão desta catástrofe provocada pelos fumos tóxicos, para que se concretize a nossa esperança de voltar a ter ar puro, céu azul e raios de sol aqui, em Kalimantan Ocidental”, salientou Glorio Sanen, advogado dos queixosos, referindo-se ao sofrimento das populações.

Rokman Torang, advogado do Estado, garantiu hoje que os governos nacional e provincial “já responderam ao problema dos fumos”.

O Governo mobilizou bombeiros, apoiados por voluntários, para as zonas afetadas e recorre à sementeira de nuvens e ao lançamento de água a partir do ar, com resultados limitados.

Os especialistas afirmam que os incêndios na Indonésia se devem, em grande medida, às práticas de queima de vegetação utilizadas para limpar terrenos, que provocam a destruição da cobertura florestal resistente ao fogo e a secagem das turfeiras. Este ano, os incêndios foram agravados por uma seca severa associada ao fenómeno climático El Niño.

Os queixosos consideram que o Governo poderia ter estado mais bem preparado, através da abertura de mais poços e da distribuição de mais equipamentos de combate aos incêndios e exigem que declare o estado de emergência nacional para desbloquear recursos, reclamando ainda cuidados de saúde gratuitos e indemnizações para as famílias das pessoas que morreram de doenças respiratórias ligadas aos incêndios.

A Indonésia combate incêndios desde junho, que, entre janeiro e o final de setembro, queimaram cerca de dois milhões de hectares de terrenos de vários tipos, uma área 12 vezes superior à de Londres, segundo o portal de monitorização da desflorestação Nusantara Atlas.

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