O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) registou desde o sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter, ocorrido na região na terça-feira, perto de uma centena de réplicas, mas a situação “está estabilizada”.
Um sismo de magnitude 5,2 na escala de Richter foi sentido na terça-feira, às 18:07 locais (19:07 em Lisboa), nas ilhas de São Miguel, Santa Maria e Terceira, não causando vítimas ou danos materiais.
Em declarações à agência Lusa, Rita Carmo, investigadora e membro da direção do CIVISA, disse que desde o sismo maior já foram registadas, até cerca das 10:00 locais de hoje (11:00 em Lisboa), “quase uma centena de réplicas, todas de magnitude inferior, sendo que algumas com magnitude superior a 3 na escala de Richter foram sentidas pela população”.
“A situação está a ter tendência para estabilizar, mas ainda poderá demorar até atingir o novo equilíbrio”, sublinhou Rita Carmo.
Ainda segundo a investigadora, “durante a noite a tendência foi de uma diminuição na atividade sísmica, como é natural nestas circunstâncias”, mas alertou que “esta situação pode demorar ainda algum tempo até que o sistema encontre a sua estabilidade”, pelo que “podem ocorrer novamente sismos sentidos pela população”.
A investigadora disse à agência Lusa que são eventos comuns numa Região como o arquipélago dos Açores, onde “a atividade sísmica é frequente”.
A situação em causa ocorre numa zona designada por Fossa Hirondelle, uma depressão submarina no Oceano Atlântico, localizada nos Açores entre as ilhas de São Miguel e Terceira.
“É uma bacia deprimida que está delimitada por falhas tectónicas e a localização dos sismos é precisamente numa dessas estruturas tectónicas que limita essa Fossa Hirondelle”, explicou a responsável, assinalando que “é natural que os sistemas tendam a responder às novas condições da evolução normal da dinâmica das placas”.
Rita Carmo disse ainda que “não é invulgar que numa situação de sismos, mesmo de origem tectónica, as réplicas possam atingir magnitudes semelhantes, ou quase semelhantes, às do sismo principal”, referindo que “existem vários exemplos a nível mundial”.
“Não podemos prever que ocorra um sismo com a mesma magnitude do sismo principal, mas é uma situação que não podemos descurar”, pelo que “as pessoas devem ter bem presentes as medidas de autoproteção relacionadas com fenómenos sísmicos”, vincou Rita Carmo.
O sismo principal teve epicentro a cerca de 40 quilómetros a oeste de Ginetes, no concelho de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O CIVISA referiu em comunicado que o abalo “foi sentido com intensidade máxima V/VI (escala de Mercalli Modificada) no concelho de Ponta Delgada”.
“O evento foi ainda sentido com intensidade V nos concelhos de Ribeira Grande, Lagoa, Vila Franca do Campo e Povoação, com intensidade IV/V no concelho de Nordeste, com intensidade IV nos concelhos de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória (ilha Terceira) e com intensidade III em Vila do Porto (ilha de Santa Maria)”, acrescentou.
De acordo com a escala de Richter, os sismos são classificados segundo a sua magnitude como micro (menos de 2,0), muito pequenos (2,0-2,9), pequenos (3,0-3,9), ligeiros (4,0-4,9), moderados (5,0-5,9), fortes (6,0-6,9), grandes (7,0-7,9), importantes (8,0-8,9), excecionais (9,0-9,9) e extremos (quando superior a 10).
A escala de Mercalli Modificada mede os “graus de intensidade e respetiva descrição”.
Com intensidade VI, considerado bastante forte, o sismo é sentido por todos e muitas pessoas assustam-se e correm para a rua, de acordo com a descrição do IPMA na sua página da Internet.
Já com intensidade V, considerada forte, os sismos são sentidos fora de casa, as pessoas são acordadas, os líquidos oscilam e alguns extravasam, pequenos objetos em equilíbrio instável deslocam-se ou são derrubados, as portas oscilam, fecham-se ou abrem-se, ao passo que os estores e quadros se movem e os pêndulos de relógios param ou alteram o estado de oscilação.
Em casos de sismos com uma intensidade IV, considerada moderada, “os objetos suspensos baloiçam, a vibração é semelhante à provocada pela passagem de veículos pesados ou à sensação de pancada de uma bola pesada nas paredes, os carros estacionados balançam, as janelas, portas e loiças tremem, os vidros e loiças chocam ou tilintam e na parte superior deste grau as paredes e as estruturas de madeira rangem”, indica o IPMA.