A maternidade do Hospital Provincial do Zaire realiza diariamente uma média de dez partos em adolescentes, uma situação que tende a aumentar, segundo a responsável desta área na referida unidade hospitalar angolana.
Segundo Adelina Sandra, citada pela ANGOP, agência noticiosa angolana, a situação preocupa as autoridades sanitárias locais devido aos riscos a que ficam expostas meninas com idades entre 13 e 14 anos que acorrem à maternidade na fase de gravidez e para o parto.
Adelina Sandra referiu que os casos de gravidez na adolescência tendem a aumentar porque falta diálogo, educação sexual e o incumprimento das medidas de prevenção da gravidez, sendo uma as principais consequências os partos prematuros e o baixo peso à nascença.
O Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola divulgado em setembro deste ano, refere que a gravidez na adolescência permanece um desafio relevante para a saúde pública em Angola, com implicações diretas na mortalidade materna, escolaridade, inserção laboral e ciclo intergeracional de pobreza.
De acordo com o estudo, a prevalência da gravidez na adolescência apresentou uma redução nos últimos anos, passando de 34,5% em 2015/2016 para 27,1% em 2023/2024, mas permanece muito acima da média da África Subsaariana, estimada em 18%.
O documento destaca ainda que, em ambos os inquéritos, as adolescentes que já haviam engravidado eram maioritariamente residentes em áreas rurais, tinham baixo nível de escolaridade e pertenciam a agregados familiares com menor nível de riqueza.