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Papa diz que é intolerável que a alimentação ainda seja um privilégio no mundo

Lusa
16-10-2026 12:48h

O Papa considerou "intolerável" que, nesta época de progressos tecnológicos, "o pão continue a ser um privilégio e a água, uma mercadoria", numa mensagem enviada à FAO, noticiou hoje a imprensa internacional.

No texto enviado à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura - por ocasião do Dia Mundial da Alimentação -, Leão XIV afirmou que a fome no mundo "não é um problema técnico nem económico, mas antes uma profunda crise antropológica e ética".

A mensagem do Papa está datada de 12 de outubro, um dia antes do internamento no hospital Gemelli, em Roma, onde, na passada terça-feira, foi submetido à remoção de um adenocarcinoma, um tipo de cancro do pulmão.

"A fome não pode ser considerada uma anomalia estatística, pois deve-se, em grande parte, a uma falta de vontade política e de caridade coletiva", lamentou o pontífice na sua mensagem, assegurando "que a escassez de alimentos também não é algo geograficamente inevitável".

"De facto, é intolerável que, numa época caracterizada por um progresso técnico sem precedentes, o pão continue a ser um privilégio e a água, uma mercadoria disputada. O acesso regular a uma alimentação segura, adequada, suficiente e de acordo com a dignidade de cada pessoa é um direito humano fundamental", afirmou Leão XIV.

O Papa acrescentou que "garantir este direito é uma obrigação de justiça que compromete os Estados e a comunidade internacional", lamentando: "No entanto, enquanto se inova para acelerar a produção, negligencia-se a distribuição".

Além disso, condenou a existência de "monopólios" que "asfixiam a agricultura de pequena escala".

Por isso, o Papa recordou que "garantir a nutrição de amanhã exige libertar os alimentos das lógicas puramente especulativas".

"O pão não é um instrumento de pressão geopolítica nem um ativo financeiro volátil. Nunca deve ser utilizado como arma de guerra. Impedir que chegue a todos ou destruir os meios que o produzem é uma terrível ofensa à dignidade humana", afirmou.

Leão renovou, ainda, o seu apelo para que "os recursos investidos na indústria da guerra sejam desviados — por um imperativo ético inadiável — para a investigação agrícola sustentável e a regeneração dos solos degradados".

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