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Sociedade Portuguesa de Senologia pede mais planeamento e apoio no regresso ao trabalho após cancro

Lusa
16-10-2026 11:25h

A Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) alertou hoje para a necessidade de mais planeamento e apoio no regresso ao trabalho das mulheres depois de um cancro de mama, cujo impacto pode persistir além das fases de tratamento.

Segundo um estudo promovido pela SPS, em colaboração com a Faculdade de Ciências da Universidade Nova, mais de metade (56,7%) das mulheres apresentaram fadiga intensa ou muito intensa, assim como alguns sintomas vasomotores (53,5%) e alterações cognitivas (51,5%).

A dimensão psicológica assume particular relevância, com o medo do reaparecimento da doença associado ao stresse profissional a ser identificado 59,2% das cerca de 600 mulheres envolvidas no estudo.

A preocupação em não conseguir corresponder às exigências do trabalho foi referida por 49,6% e a ansiedade associada ao regresso por 48,5%.

Face a estes dados, a SPS lembra que o regresso ao trabalho destas mulheres deve ser planeado, pois trata-se de um “processo exigente”, marcado por dificuldades físicas e psicológicas e as respostas de apoio nem sempre são as adequadas.

Em comunicado, a SPS sublinha que esta transição exige preparação e acompanhamento, pois metade das mulheres ouvidas (52,4%) classificou a experiência de regresso ao trabalho como difícil ou muito difícil.

A informação sobre direitos laborais e o acesso a apoio psicológico surgem igualmente entre as necessidades identificadas: mais de uma em cada três (36,3%) sentiram falta de informação sobre os seus direitos laborais e apenas 32% não precisou de acompanhamento psicológico.

Os dados revelam ainda que em 31% dos casos o apoio das entidades empregadoras foi nulo ou reduzido. Contudo, foi maior o grupo que o considerou elevado (40,6%).

As coordenadoras do Grupo de Trabalho Reinserção Social e Profissional da SPS consideram que os resultados apontam para a necessidade de uma maior sensibilização de todos os intervenientes.

“É fundamental sensibilizar as equipas clínicas, as entidades empregadoras e os colegas destas mulheres para as dificuldades que podem persistir após o tratamento”, refere Susana Sousa, uma das coordenadoras, sublinhando que muitas destas limitações “não são imediatamente visíveis, mas têm impacto real na vida profissional”.

As mulheres questionadas disseram ainda que a flexibilidade de horário, o teletrabalho e a existência de um programa estruturado de reabilitação podem facilitar a reintegração.

As responsáveis da SPS defendem ainda que o regresso ao trabalho não deve ser encarado como o fim da baixa médica, mas como “um processo de transição”.

“É necessário planear esse regresso, garantir o acompanhamento adequado e criar condições de trabalho flexíveis, para que cada mulher possa retomar a sua atividade de forma sustentável, respeitando as suas capacidades e necessidades”, insistem.

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