O PS questionou o Governo sobre as “alterações que estão a ser preparadas” no serviço de oncologia do hospital de Portalegre e exigiu saber quais os “fundamentos clínicos, técnicos e assistenciais” que sustentam a decisão.
As preocupações constam de uma pergunta subscrita por sete deputados socialistas, de entre os quais Luís Moreira Testa, eleito pelo círculo eleitoral de Portalegre, e entregue no parlamento, dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins.
Na pergunta, datada de terça-feira e consultada hoje pela agência Lusa, o PS refere que “têm sido sinalizadas alterações na organização e na prestação de cuidados de saúde oncológicos” na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo.
Estas mudanças suscitam “preocupação” quanto aos “eventuais impactos na capacidade instalada e na continuidade da resposta atualmente assegurada” no Serviço de Oncologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, integrado naquela ULS, pode ler-se.
No documento entregue na Assembleia da República (AR), os deputados referem que “a resposta aos doentes oncológicos no distrito de Portalegre, particularmente na Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo, constitui uma área de especial sensibilidade, exigindo estabilidade, continuidade dos cuidados e elevados padrões de qualidade”.
E salientam que, “de acordo com informação tornada pública, o serviço apresenta ótimos resultados terapêuticos, uma boa articulação com outras especialidades, ausência de lista de espera e um elevado grau de satisfação dos doentes”.
Os parlamentares alertam ainda que, “num contexto em que os doentes oncológicos e as suas famílias atravessam períodos de particular fragilidade, qualquer alteração na organização destes cuidados deve ser precedida de uma avaliação rigorosa dos seus impactos clínicos, técnicos e assistenciais”.
Só desta forma, continuam, é possível garantir que uma alteração “não se traduz numa redução da qualidade, da proximidade ou dos tempos de resposta”.
Por isso, o PS quer saber se o Governo tem conhecimento desta situação e se foi feita “alguma avaliação” do impacto dessas alterações nos tempos de resposta, continuidade dos tratamentos, capacidade instalada e na qualidade dos cuidados prestados aos doentes oncológicos do distrito de Portalegre.
Os deputados questionam também se a ministra da Saúde pode assegurar que as alterações em curso ou previstas “não resultarão numa redução da capacidade de resposta” no serviço de oncologia, nem no “aumento dos tempos de espera ou numa necessidade acrescida de deslocação” dos doentes para outras unidades hospitalares.
Por último, reclamam informações sobre que medidas pretende o Governo adotar para garantir a manutenção e, “se possível”, o reforço de uma resposta oncológica de “proximidade, estável, integrada e de elevada” qualidade no distrito de Portalegre.
Também a Federação Distrital de Portalegre do PS, num comunicado divulgado hoje, alertou que poderá ocorrer uma reestruturação do serviço de oncologia do hospital.
O presidente desta federação socialista, Tiago Teotónio Pereira, explicou à Lusa que, nesta fase, a preocupação passa por obter garantias da ULS do Alto Alentejo de que a resposta aos doentes vai continuar a ser assegurada.
“A preocupação é que o serviço possa responder a tempo e que seja de qualidade e isso tem sido verificado. Por isso, tendo-nos chegado notícias de que o serviço iria ser restruturado e ter uma nova coordenação, motiva-nos muito podermos assegurar que a mesma prestação de cuidados de saúde vai continuar a ser levada a cabo”, disse.
Tiago Teotónio Pereira recordou que os tratamentos oncológicos em Portalegre têm obtido “resultados até acima daquilo que é a média nacional”, sendo, por isso, “incompreensível” a eventual decisão de avançar para uma reestruturação.
A Lusa contactou o porta-voz da ULS do Alto Alentejo, Ilídio Pinto Cardoso, que remeteu eventuais esclarecimentos para mais tarde.