O tempo de espera para primeira observação de doentes urgentes no Hospital Amadora-Sintra era, na manhã de hoje, de quase 11 horas, segundo o portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Segundo os dados disponíveis no portal, pelas 08:45, na urgência geral do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), no distrito de Lisboa, os doentes classificados como urgentes (com pulseira amarela atribuída na triagem) tinham um tempo de espera de 10 horas e 52 minutos para a primeira observação por um médico.
No Hospital Garcia de Orta, que integra a ULS Almada-Seixal, no distrito de Setúbal, à mesma hora os doentes urgentes esperavam seis horas e 39 minutos, segundo o portal do SNS.
Já no Santa Maria, em Lisboa, o tempo de espera para primeira observação de doentes urgentes era de sete horas e cinco minutos, enquanto à mesma hora, doentes com a mesma pulseira esperavam, no Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, cinco horas e 57 minutos.
Consultados os dados nos quatro principais hospitais do Grande Porto – São João, Santo António, Matosinhos e Gaia/Espinho – os tempos médios de espera eram inferiores a uma hora.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já tinha admitido na terça-feira que as próximas semanas vão ser de grande pressão nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo no Hospital de Amadora-Sintra.
“Eu diria que as próximas semanas vão ser semanas de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo, mas, essencialmente, no Hospital de Amadora-Sintra”, afirmou Ana Paula Martins, em Porto de Mós, distrito de Leiria, onde esteve na inauguração dos trabalhos de remodelação do centro de saúde local.
Confrontada com os tempos de espera elevados nas urgências na região de Lisboa, que reconheceu serem “um bocadinho mais elevados” e, às vezes, “significativamente mais elevados que no resto do país”, Ana Paula Martins declarou, referindo-se ao Hospital de Amadora-Sintra, que nas próximas semanas esta situação pode ocorrer várias vezes.
Segundo a governante, há várias razões para esta situação se repetir, sendo que a primeira se prende com o facto de existir “uma pressão assistencial enorme, é talvez das zonas do país, se não a zona do país com maior pressão assistência”.
“Temos mais de 240 mil pessoas ali só nestes concelhos sem médico de família e isso causa uma pressão assistencial sobre as urgências muito grande”, reconheceu, assumindo, igualmente, “uma situação também de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde] especificamente, muita falta de enfermeiros, muita falta de médicos também, concretamente na urgência”.
Segundo a ministra, houve “várias mudanças” e “isso criou instabilidade na equipa de urgência”.
“Estamos a fazer tudo aquilo que nos compete enquanto Governo a procurar conseguir trazer de novo profissionais para uma urgência” que classificou como a “mais sobrecarregada do país”.
Segundo o sistema de triagem, as situações muito urgentes (pulseira laranja) têm um atendimento recomendado nos 10 minutos seguintes à triagem, enquanto os casos urgentes (amarela) não deveriam aguardar mais de 60 minutos. Nos pouco urgentes (pulseira verde) o tempo recomendado é de 120 minutos.