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Ébola: República Democrática do Congo ultrapassa as 3.000 mortes por surto de Ébola

Lusa
02-09-2026 09:09h

Mais de 3.000 pessoas já morreram devido ao surto de Ébola declarado em 15 de maio no leste da República Democrática do Congo (RDCongo), onde foram registados um total de 6.186 casos confirmados, declararam hoje as autoridades.

De acordo com o último relatório publicado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) da RDCongo, com dados recolhidos até 31 de agosto, um total de 3.007 pessoas morreram devido à doença, que tem uma taxa de letalidade de 48,6%. Além disso, 1.409 doentes recuperaram até à data e outros 830 estão hospitalizados ou em isolamento.

A resposta contra a transmissão do vírus continua em 60 zonas de saúde de seis províncias congolesas, incluindo a província oriental de Ituri – epicentro do surto –, que registou o maior número de novas infeções nas últimas 24 horas analisadas, com 49 pessoas infetadas.

Além disso, as províncias de Tshopo (centro-norte), Bas-Uélé (norte), Haut-Uélé, Kivu do Norte e Kivu do Sul (leste) continuam a ser afetadas, embora esta última possua apenas uma zona de saúde ativa e não tenha reportado novos casos confirmados em mais de noventa dias.

A estirpe Bundibugyo, responsável pelo atual surto, não tem tratamentos específicos, embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) esteja a trabalhar em duas vacinas que iniciaram a fase um de testes em humanos e, até à data, têm mostrado resultados promissores, mas o seu desenvolvimento pode demorar vários meses.

Entretanto, a República Democrática do Congo lançou na semana passada uma campanha de imunização contra o Ébola com a vacina Ervebo, originalmente desenvolvida para a variante Zaire do vírus, mas que apresentou resultados positivos contra a estirpe Bundibugyo em animais.

Este surto é já o segundo mais mortífero da história, ultrapassando o que ocorreu na mesma região congolesa entre 2018 e 2020, embora ainda esteja longe do mais grave de que há registo, que causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções na África Ocidental entre 2014 e 2016.

A atual epidemia alastrou também ao vizinho Uganda, onde a OMS declarou o fim do surto em 26 de agosto, depois de registar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, entre os quais se registaram duas mortes.

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