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Três médicos de família em falta em Porto de Mós que ULS garante em 2027

Lusa
01-09-2026 16:39h

O presidente do Município de Porto de Mós disse hoje que faltam três médicos de família no concelho, que a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria prevê colocar em 2027.

“Atualmente, estamos com falta de três médicos, a que correspondem cerca de 3.500 utentes sem médico de família”, afirmou Jorge Vala, na inauguração da empreitada de remodelação do Centro de Saúde de Porto de Mós, um investimento de 1,3 milhões de euros, financiado em 900 mil euros pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Jorge Vala reconheceu, contudo, que a ULS “encontrou uma solução através do protocolo ‘Bata Branca’”, que assegura consultas a utentes sem médico de família, com duas médicas aposentadas.

“Embora com caráter provisório, esta resposta da ULS, que conta também com a participação financeira do município e a disponibilidade da Misericórdia de Porto de Mós, foi rápida e com a responsabilidade de quem se preocupa efetivamente com os utentes”, declarou.

O autarca disse, contudo, contar “com a mesma celeridade para uma resposta estável e, se possível, duradoura”, através da “contratação de três novos médicos”.

Antes, Jorge Vala lembrou o investimento municipal em edifícios de saúde, mas salientou que “uma boa resposta de saúde tem também de chegar às pessoas, nomeadamente àquelas que, por idade, doença ou condição de vida, têm maiores dificuldades de deslocação”.

Por isso, a autarquia entregou “oito viaturas destinadas ao apoio dos profissionais para assegurar uma resposta de proximidade sem qualquer tipo de constrangimento”.

A este propósito, referiu que “cuidar das pessoas significa também ir ao seu encontro” e, dirigindo-se à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, presente na cerimónia, salientou que o município tem “reivindicado maior humanização dos serviços, maior compreensão com a fragilidade de quem acorre ao Serviço Nacional de Saúde e, sobretudo, maior proximidade”.

“Foi também por tudo isso que, em dezembro de 2023, assinámos com o Ministério da Saúde o acordo de descentralização com vários pressupostos”, observou.

Admitindo que o mais simples “teria sido não aceitar a descentralização”, o autarca referiu que, além “dos 900 mil euros financiados através do PRR para esta obra”, valor inferior ao investido, “este protocolo tem ainda incluído a garantia de manutenção” de dois polos de saúde, na Mendiga e Alqueidão da Serra, onde estão “populações extremamente envelhecidas, com dificuldades de mobilidade, com reduzida oferta de transportes públicos”.

O autarca lamentou que “os profissionais decidiram não ter em conta este acordo”, talvez “porque alguns entendam ser mais fácil deslocar cerca de 1.700 cidadãos ao centro de saúde do que serem três profissionais a deslocarem-se duas ou três vezes por semana ao polo de cada uma destas freguesias que, infelizmente, entretanto, viram os seus polos encerrados”.

Jorge Vala garantiu que a autarquia não vai desistir nesta matéria, expressando disponibilidade “para avançar com a construção de novos edifícios nestas duas freguesias”, para garantir condições e “acabar com esta profunda injustiça”.

O presidente da ULS da Região de Leiria, Manuel José Carvalho, afirmou ter ouvido os recados do autarca e recordou que em janeiro de 2025 havia 120 mil utentes sem médico de família na ULS, que tem atualmente 418 mil utentes inscritos.

Em 2025 e 2026, foram colocados 59 médicos de família nesta ULS, que foi a “que mais médicos de família colocou nos dois últimos concursos nacionais”, realçou Manuel José Carvalho, reconhecendo ainda a existência de “cerca de 35.000 utentes sem médico de família”.

“De referir que, atualmente, o número de novas inscrições por mês ronda os mil novos utentes”, salientou.

Aos jornalistas, o presidente da ULS adiantou que a previsão é que, “no próximo concurso, que vai decorrer no próximo ano”, sejam garantidos os médicos de família em falta para Porto de Mós e toda a área de intervenção da ULS.

“Temos os nossos internos em formação e a fazer exame para o ano e vão ficar, de certeza. Portanto, para o ano ficamos com a região toda completa de médicos de família”, afiançou, explicando que, além de Porto de Mós, há ainda utentes sem médico de família em Ourém e Alcobaça.

A área de influência da ULS da Região de Leiria corresponde aos concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Compreende três hospitais (Leiria, Pombal e Alcobaça) e 10 centros de saúde.

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