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Sindicato diz que “nada foi feito” nos últimos meses para contratar enfermeiros

Lusa
01-09-2026 16:45h

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) afirmou hoje que, em junho e julho, já tinha alertado para a necessidade de agilizar a contratação de novos profissionais de saúde, lamentando que, desde então, “nada foi feito” nesse sentido.

“Em junho e julho, publicamente e em reunião no Ministério da Saúde, afirmamos a necessidade de agilizar os processos para garantir a contratação dos cerca de 3.000 jovens enfermeiros que concluíram a sua formação académica. Nada foi feito”, adiantou o sindicato em comunicado.

Na segunda-feira, a Ordem dos Enfermeiros pediu a intervenção urgente da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, no processo de autorização às unidades locais de saúde (ULS) para contratação, alegando que o país está a desperdiçar mais de 3.00 novos profissionais dessa área.

Em causa estão os planos de desenvolvimento organizacional, que definem os recursos humanos que as ULS e os hospitais oncológicos podem dispor e que este ano ainda não foram aprovados.

“É inaceitável que os planos de desenvolvimento organizacional das ULS continuem, em setembro, por autorizar, mantendo o registo do que aconteceu em 2025”, lamentou o SEP, ao salientar que, ao mesmo tempo que não são feitas novas contratações, “aos enfermeiros continua a ser exigido que façam milhares de horas extraordinárias”.

“Nenhuma das instituições públicas, privadas ou sociais cumpre o regulamento das “dotações seguras”, sendo que todas elas são responsáveis pelo especial risco e penosidade a que os enfermeiros estão sujeitos”, realçou ainda o sindicato.

Segundo o SEP, estão também a aumentar as contratações a recibo verde, uma situação que não permite “estabilizar as equipas e não garante a segurança e a qualidade dos cuidados” prestados aos utentes.

Além disso, de acordo com o sindicato, também não são abertos concursos de desenvolvimento na carreira de enfermagem, impedindo que enfermeiros titulados como especialistas possam desenvolver as suas competências.

A ministra da Saúde afirmou hoje que o número de enfermeiros necessários para as ULS são cerca de 850, adiantando estar prevista ampliação dos horários destes profissionais.

“O número de enfermeiros que nos foi transmitido como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos 850, 870 enfermeiros”, afirmou Ana Paula Martins aos jornalistas, em Porto de Mós (Leiria), à margem da inauguração das obras de remodelação do centro de saúde local.

Ana Paula Martins salientou hoje que os 3.000 enfermeiros que estão agora a acabar a sua formação, têm, além do Serviço Nacional de Saúde (SNS), também outras áreas de atração”.

“Estes 3.000 enfermeiros, para a necessidade de horas de enfermagem que nós temos, quer no SNS, quer também no setor privado e no setor social, ficam mais do que esgotados”, alegou.

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