O delegado de Saúde do Faial, nos Açores, Armando Faria, disse hoje aguardar pelos resultados das análises laboratoriais, para saber qual o agente causador do surto de gastroenterite que tem levado centenas de pessoas às urgências, mas aconselha “tranquilidade”.
“É preciso manter a tranquilidade. As coisas estão estáveis nesta altura. Estamos à espera de saber qual o agente causal, que mais do que provável será um vírus. Toda a curva epidemiológica leva a crer que é uma situação viral benigna. Não há internamentos, não há mortes, não há nada disso”, realçou o médico, em declarações aos jornalistas.
Armando Faria aconselhou às pessoas com sintomas como diarreia, vómitos ou febres ligeiras, para que optem por ficar em casa, para que se hidratem bem, façam uma ligeira dieta e não recorram, sem necessidade, aos serviços de urgência, que já registaram quase meio milhar de casos, desde 01 de julho até hoje.
“As pessoas estão a ir muito à urgência. Estão a entupir o serviço de urgência e depois os serviços não conseguem atender toda a gente”, alertou o delegado de Saúde, acrescentando que, em casos ligeiros, os pacientes devem contactar a Linha Saúde Açores (808 24 60 24) ou o centro de saúde mais próximo.
Segundo o delegado de Saúde, o Serviço de Urgência do Hospital da Horta deve ficar reservado para as situações que apresentam “sinais de alarme”, como por exemplo, desidratação, vómitos persistentes, incapacidade de ingerir líquido, sangue nas fezes ou agravamento dos sintomas habituais.
“Reafirma-se que, na larguíssima maioria, se trata de um quadro ligeiro, de provável origem vírica, muito transmissível, mas de resolução espontânea em poucos dias”, insistiu o médico, para quem é importante que a população continue a cumprir recomendações “simples”, mas “eficazes”, para tentar travar a transmissão, tais como, lavar frequentemente as mãos com água e sabão e reforçar a ingestão de líquidos.
Para já, continua a decorrer uma investigação laboratorial para tentar identificar a origem do vírus, enquanto decorrem, por precaução, análises à qualidade da água de abastecimento na ilha, embora não haja, até ao momento, “qualquer evidência que associe os casos à rede pública”.
O delegado de Saúde do Faial lembrou também que as festas e os ajuntamentos habituais no verão, sobretudo aos fins de semana, têm propiciado o aumento de casos e a propagação do surto de gastroenterite no concelho.
Os idosos e as crianças continuam a ser os grupos de risco e que podem suscitar mais preocupações junto da autoridade de saúde, que sugere a introdução de “limitações de visitas” em espaços que acolham pessoas mais vulneráveis, designadamente estruturas residenciais para idosos e unidades de saúde.
O delegado de Saúde do Faial vai realizar também, nos próximos dias, reuniões com a entidade gestora da água, com os representantes do setor da restauração (restaurantes, cafés e estabelecimentos similares) e com os responsáveis das estruturas residenciais para idosos e creches, para reforçar a articulação e a aplicação das medidas de prevenção.