A Embaixada da Palestina em Lisboa expressou hoje “profundo apreço e gratidão à República de Portugal, ao seu povo, às suas instituições e hospitais” pelo acolhimento de duas meninas da Faixa de Gaza para tratamento médico.
“Este gesto humanitário tem um significado profundo para o povo palestiniano, especialmente porque Malak e Dima estão entre as milhares de crianças em Gaza que sofreram quase dois anos de bombardeamentos implacáveis, assassínios, deslocações e destruição das suas casas e famílias”, declarou a representação diplomática em comunicado.
As duas meninas representam “uma geração de crianças palestinianas que sofreram quase dois anos de genocídio em Gaza”, prosseguiu o comunicado sobre o acolhimento permitido pelas autoridades portuguesas, que reconheceram o Estado da Palestina em setembro do ano passado, juntamente com outros países ocidentais.
“Valorizamos profundamente a decisão de Portugal de abrir as suas portas e estender uma mão de solidariedade a estas crianças, dando-lhes a oportunidade de receber tratamento, recuperar a sua saúde e reencontrar a esperança e a segurança”, declarou a representação diplomática na mesma nota.
A Embaixada da Palestina frisou ainda que “cada criança, independentemente da nacionalidade ou do local de nascimento, merece o direito à vida, à saúde, à dignidade e a um futuro cheio de esperança”, deixando também palavras de agradecimento às organizações Heal Palestine e Parents for Peace.
Em comunicado divulgado no domingo, a organização norte-americana Heal Palestine informou que se associou aos coletivos Parents for Peace Portugal e ao Grupo de Apoio aos Refugiados Palestinianos (GARPP) para conduzir Dima, de 16 anos, ao Hospital da Prelada, no Porto, e Malak, de 7 anos, ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, no concelho de Cascais. Ambos os hospitais fornecem o tratamento às crianças sem custos.
As duas crianças perderam uma perna em bombardeamentos na Faixa de Gaza, segundo a Heal Palestine, e vão receber próteses e tratamentos de reabilitação, sendo “as primeiras crianças palestinianas” a beneficiar de tratamento em Portugal.
Dima e Malak, que se encontravam atualmente no Egito, chegaram hoje a Portugal e devem permanecer no país durante cerca de seis meses.
A Embaixada da Palestina assinalou ainda os “esforços dedicados, empenho e trabalho humanitário” das organizações envolvidas, que “desempenharam um papel vital para tornar esta iniciativa possível e garantir que Malak e Dima pudessem chegar a Portugal e receber os cuidados médicos de que tanto necessitam”.
A representação palestiniana expressou igualmente “profunda gratidão aos hospitais e equipas médicas portuguesas que abriram as suas portas” às duas crianças e que “lhes proporcionarão os cuidados, a compaixão e a perícia médica necessários”.
Ao mesmo tempo, afirmou esperar que esta iniciativa “abra caminho para que mais crianças palestinianas de Gaza recebam os cuidados médicos de que tanto necessitam” e declarou que “o povo palestiniano nunca esquecerá a solidariedade e o empenho humanitário de Portugal durante estes anos profundamente difíceis”.
A Embaixada da Palestina disse esperar ainda que o exemplo de Portugal “inspire a continuidade da ação internacional para proteger as crianças de Gaza e defender o seu direito fundamental à vida e a um futuro”.
A guerra no enclave foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave, que provocou mais de 73 mil mortos, dos quais uma grande parte eram crianças, segundo dados das autoridades locais controladas pelo Hamas mas considerados fiáveis pela ONU, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
As partes alcançaram um cessar-fogo em outubro do ano passado, mas não conseguiram ainda fechar um acordo nas negociações da segunda fase da trégua, que implicam o desarmamento do Hamas e retirada das forças israelitas.
Israel controla atualmente mais de 60% do território, cujas autoridades registam mais de 1.200 mortos desde o estabelecimento do cessar-fogo, entre os quais cerca de 300 crianças.