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Hospital moçambicano da Beira com 16 mortes por desnutrição aguda grave em seis meses

LUSA
17-08-2026 09:49h

Pelo menos 16 crianças morreram por desnutrição aguda grave no Hospital Central da Beira (HCB), centro de Moçambique, no primeiro semestre deste ano, contra 10 em igual período de 2025, elevando a taxa de mortalidade de 5,6% para 8,7%.

Segundo dados avançados à Lusa pela responsável dos Serviços de Reabilitação Nutricional do HCB, Ivânia Mário, o aumento da mortalidade ocorreu apesar de uma ligeira redução dos internamentos por desnutrição aguda grave. Entre janeiro e junho de 2025 foram internadas 193 crianças, contra 188 no mesmo período deste ano.

Apesar da redução dos internamentos, a taxa de mortalidade naquela unidade subiu de 5,6% para 8,7%, situação que Ivânia Mário atribui, em parte, ao estado clínico grave em que algumas crianças chegam à unidade sanitária.

"Temos recebido algumas crianças já em estado bastante grave, o que torna mais difícil reverter o quadro clínico", explicou.

A responsável acrescentou que a desnutrição é frequentemente acompanhada por outras doenças, como pneumonia, diarreia e infeções, que, quando não tratadas atempadamente, podem evoluir para complicações graves, incluindo sépsis e choque sético.

Ivânia Mário apontou ainda fatores sociais como condicionantes da recuperação das crianças, referindo dificuldades relacionadas com a alimentação, a procura atempada de cuidados médicos e o acompanhamento após a alta hospitalar.

A responsável apelou aos pais e cuidadores para procurarem assistência médica sempre que uma criança apresente agravamento do estado de saúde, sem esperar pelo fim dos tratamentos prescritos.

A enfermaria de reabilitação nutricional do HCB dispõe de 24 camas e acolhe atualmente cinco crianças, embora já tenha registado períodos de ocupação máxima, com duas crianças a partilharem a mesma cama.

O tempo médio de internamento é de cerca de 12 dias, incluindo uma fase inicial de tratamento das complicações associadas à desnutrição, seguida de um período de transição e de uma fase de reabilitação orientada para o ganho de peso e preparação da alta.

Durante esse processo, os profissionais de saúde prestam orientação aos familiares sobre alimentação, cuidados e acompanhamento da criança após o regresso a casa.

Ivânia Mário alertou igualmente para práticas alimentares inadequadas, incluindo a introdução precoce de alimentos em bebés com poucos meses de idade e a interrupção do aleitamento materno.

Por isso, defendeu o reforço das ações de sensibilização para o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida e a introdução gradual de alimentação complementar adequada a partir dessa idade, mantendo a amamentação até aos dois anos ou mais.

A enfermaria recebe crianças entre os 2 meses e os 14 anos, embora os casos mais frequentes ocorram na faixa etária dos 6 aos 59 meses. Os doentes chegam de vários pontos da província de Sofala, sobretudo dos distritos de Dondo e Nhamatanda.

De acordo com Ivânia Mário, os casos tendem a aumentar entre janeiro e maio e a diminuir nos meses seguintes, o que poderá estar relacionado com a maior disponibilidade de alimentos durante a época das colheitas.

Apesar do aumento da mortalidade registado este ano, a responsável considerou que o HCB dispõe de profissionais capacitados para o tratamento da desnutrição, beneficiando regularmente de ações de atualização técnica.

"Prevenir e tratar atempadamente é uma responsabilidade da família, da comunidade e dos serviços de saúde", concluiu.

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