O Movimento Democrático das Mulheres (MDM) criticou a “interrupção recorrente” da urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital de Portalegre, que está encerrada até terça-feira, e reivindicou a contratação urgente de profissionais de saúde para o serviço.
“A maternidade não pode fechar quando mais precisamos dela. A interrupção recorrente deste serviço essencial coloca em risco a saúde e a vida de grávidas e bebés, obrigando a deslocações longas, inseguras e muitas vezes realizadas em momentos críticos”, lamentou o Núcleo de Portalegre do MDM, em comunicado.
Manifestando “profunda preocupação face ao novo encerramento” da Urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre, a mesma estrutura argumentou que esta situação “compromete gravemente os direitos das mulheres no distrito”.
“Os encerramentos intermitentes das urgências obstétricas geram incerteza e angústia no momento do parto, aumentam o risco para grávidas e recém-nascidos, reforçam as desigualdades territoriais no acesso à saúde e configuram situações de violência obstétrica estrutural”, considerou.
Segundo o MDM, “a saúde das mulheres não pode depender do código postal”, devendo o acesso a cuidados de saúde materna de qualidade “ser garantido em todo o território nacional, em condições de proximidade, segurança e dignidade”.
Por isso, através do comunicado, este núcleo alentejano do MDM reivindicou “a abertura permanente (24h/dia, todos os dias) das urgências obstétricas” do hospital de Portalegre e “a contratação urgente de profissionais de saúde.
A estrutura reclamou ainda “um Serviço Nacional de Saúde público, universal e gratuito, devidamente reforçado”, o “fim dos encerramentos rotativos de serviços” e a valorização do planeamento familiar e da saúde materna como prioridade política.
“O MDM reafirma o seu compromisso na defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e apela à mobilização da população e das entidades responsáveis para pôr fim a esta situação inaceitável”, pode ler-se ainda.
Na sexta-feira, em comunicado, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo anunciou que a urgência de obstetrícia e ginecologia do hospital de Portalegre iria estar encerrada entre domingo e terça-feira, “devido à impossibilidade” de assegurar as escalas médicas necessárias.
A ULS lamentou “os constrangimentos causados” pela situação e indicou estar “a articular, em rede”, a resposta assistencial necessária para “garantir a segurança e a continuidade” dos cuidados de saúde às utentes que necessitem de acompanhamento urgente nesta área.
“Antes de se dirigirem a qualquer serviço de urgência, todas as grávidas devem contactar a Linha SNS 24 (808 24 24 24), opção SNS Grávida, onde serão avaliadas e orientadas para a resposta mais adequada à sua situação clínica”, referiu então no comunicado.
A ULS recordou ainda que, nas situações de emergência, as utentes devem contactar o 112.