O Presidente da República, António José Seguro, elencou hoje, no Porto, a investigação em saúde como oportunidade para Portugal e saudou os investigadores “praticamente invisíveis” que colocam o doente ao centro.
Seguro discursava no final de uma visita ao Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, no qual contactou com investigadores e ficou a conhecer três laboratórios e duas plataformas de investigação, “uma visita acelerada, mas muito significativa”.
“Em cada uma das salas, percebi, confirmei, o espírito do que já foi aqui anunciado. Qualidade, excelência, cooperação, partilha. Sempre como foco o doente, o paciente, e evitar se possível que seja doente, paciente, através da vossa investigação. Bravo, parabéns”, elogiou.
Elencando os vários projetos com que contactou, lembrou uma pergunta que diz acompanhá-lo desde que começou “a percorrer o país, antes e depois da eleição”: “porque é que Portugal tem ciência de referência internacional que a maioria dos portugueses não conhece?”.
No Auditório Mariano Gago, referiu, estão investigadores “praticamente invisíveis”, num país que tem “ativos científicos que poucas nações desta dimensão possuem”, faltando uma arquitetura estrutural “que torne visível, coerente, e sustentável no tempo, independentemente dos ciclos políticos”.
“Esta invisibilidade tem um custo. Não é apenas um problema de comunicação. É um problema democrático. Uma sociedade que não conhece as suas capacidades científicas, não consegue fazer escolhas informadas sobre o seu futuro, não consegue exigir ao Estado que financie com a consistência que merece, não consegue atrair os talentos que eles podem forçar”, disse.
É também um problema “estratégico, porque a saúde não é apenas um direito”, mas também “uma das maiores oportunidades, também económicas e sociais, do século”.
Já o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considerou “sempre reconfortante” que a Presidência da República esteja “atenta ao território e às melhores práticas de conhecimento, investigação e inovação”, porque “visitar o i3S não é apenas visitar um centro de investigação ou comunidade científica, é visitar uma ideia de futuro”.
O autarca manifestou a vontade de “acelerar a transferência de talento e tecnologia” e “fixar talento qualificado e criar emprego de maior valor acrescentado”, lembrando o memorando de entendimento assinado com a Universidade do Porto e o Politécnico do Porto para lançar um “ecossistema” com universidades, centros de investigação, empresas e talento.
O reitor da Universidade do Porto, Pedro Nuno Teixeira, agradeceu “a honra da visita”, no 10.º aniversário da instituição, e interpretou-a como “respaldo institucional” ao trabalho que ali se desenvolve, mas também “como voto de confiança no futuro”.
O diretor do i3S, Cláudio Sunkel, por seu lado, alçou a vontade de ali serem “os motores da próxima fase da ciência em Portugal”.
“Quando plantamos uma árvore, nem sempre saberemos o que nascerá ou quando dará frutos. Mas sabemos que sem esse gesto inicial, não haverá floresta. O i3S quer ajudar Portugal a cultivar essa floresta do conhecimento, em que a ciência seja reconhecida como uma das mais nobres formas de servir o país”, afirmou.