O ministro da Saúde moçambicano disse hoje que o país precisa de acelerar a formação de recursos humanos especializados para responder às doenças atuais e voltou a lançar críticas aos profissionais de saúde por mau atendimento aos pacientes.
“Este país, Moçambique, precisa de acelerar a formação de recursos humanos especializados para responder aquilo que são as necessidades do país. O mundo hoje enfrenta um grande desafio de doenças emergentes, todos estamos a acompanhar as doenças infecciosas e triplo fardo de doenças que enfrentamos na atualidade”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse.
O responsável falava hoje, em Maputo, na abertura do Curso de Integração de Médicos Residentes, em que 67 profissionais de saúde vão ser formados no Hospital Central de Maputo (HCM), o maior do país, em diversas especialidades médicas.
Segundo o ministro, as doenças crónicas não transmissíveis e as suas complicações, além de traumas e doenças mentais, são o "triplo fardo" para o setor da saúde, indicando que é preciso avançar com formações para travar estas doenças.
“É preciso ter capacidade de resposta e ela só pode vir do capital humano formado”, disse o ministro.
Nas mesmas declarações, o governante pediu aos profissionais da saúde respeito pela deontologia e ética no trabalho, criticando aqueles que desumanizam o atendimento hospitalar.
“Espero que tenham escolhido fazer residência médica, ser internos com um propósito daqueles precisam de nós. O doente não pode chegar à unidade sanitária com problema para ser resolvido e nós não estamos lá porque estamos de greve”, criticou o ministro da Saúde.
Isse voltou a admitir desafios na saúde face a constantes greves e paralisações, mas frisou que é preciso salvar vidas independentemente dos problemas enfrentados no setor.
“Há desafios, há problemas e nós reconhecemos, mas há um propósito que vocês escolheram, um propósito que é ser agente da saúde, essa é que é a diferença, lidamos com o que é mais precioso que é a maior riqueza do ser humano que é a saúde, então dediquem-se, empenhem-se para adquirir o máximo de habilidades para salvar vidas”, apelou o ministro.
O HCM tem agora 300 médicos residentes em formação em diferentes especialidades, com destaque para pediatria, cirurgia geral e ginecologia obstetrícia, com o Governo a avançar que nos últimos cinco anos foram formados pelo menos 219 médicos especialistas, destacando-se as áreas de clínica geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia, ortopedia e traumatologia.
O Curso de Integração de Médicos Residentes decorre desde hoje até 07 de agosto visando proporcionar aos novos médicos residentes conhecimentos, ferramentas e competências essenciais para a sua integração nos programas de formação médica especializada.