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Governo moçambicano anuncia para julho "pico maior" de aquisição de medicamentos

Lusa
22-06-2026 12:57h

O ministro da Saúde moçambicano garantiu hoje que o país dispõe de medicamentos, embora ainda em quantidades insuficientes, e assegurou que o abastecimento deverá melhorar em julho, quando está previsto o “pico maior” de fármacos já adquiridos pelo Estado.

“Temos medicamentos no país. É lógico que não na quantidade que nós gostaríamos de ter”, disse o ministro da Saúde, Ussene Isse, à margem da receção de uma doação de 110 cadeiras de rodas do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Maputo.

Segundo o governante, o reforço do abastecimento está ligado à chegada faseada de fármacos já comprados pelo Estado, prevendo-se para julho o maior volume de entregas desde o início do processo de aquisição.

“Já comprámos os medicamentos, estão a chegar gradualmente. Este mês chegaram medicamentos. Próximo mês de julho é o mês que teremos o pico maior do que já comprámos”, afirmou Ussene Isse, acrescentando acreditar que “brevemente” a situação ficará estabilizada no país.

Questionado sobre denúncias de alegada distribuição ou venda de medicamentos fora do prazo nas unidades sanitárias, o ministro reiterou que os profissionais de saúde estão proibidos de administrar ou comercializar fármacos expirados e garantiu que os casos estão a ser investigados.

“Os profissionais de saúde estão proibidos de dar ou vender medicamentos fora do prazo”, afirmou, sublinhando que, se forem confirmadas irregularidades, o ministério vai responsabilizar os envolvidos.

Ussene Isse reconheceu que recebeu informação sobre alegadas práticas do género, mas defendeu a necessidade de apurar os factos com base em evidências, considerando que a situação não corresponde aos procedimentos em vigor no setor.

“Se isso está a acontecer, é algo que não é normal. Então temos que investigar para ter evidência, para tomar a melhor medida”, declarou.

O caso já tinha levado o Governo a anunciar, em 02 de junho, a criação de uma equipa para investigar a alegada disponibilização de medicamentos fora do prazo, após a circulação, nas redes sociais, de imagens que mostravam fármacos expirados alegadamente entregues a pacientes do Sistema Nacional de Saúde.

Na altura, o porta-voz do Conselho de Ministros, também Ussene Isse, afirmou que um dos casos sob averiguação envolvia o distrito de Chigubo, na província de Gaza, sul do país, depois de a Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) prometer apresentar provas sobre denúncias recorrentes de venda destes medicamentos.

Durante a cerimónia de receção das cadeiras de rodas doadas pelo BCI, no âmbito de uma iniciativa destinada a reforçar a mobilidade e o conforto dos doentes nas unidades sanitárias públicas, o administrador do banco, Raul Almeida, disse que a ação integra o programa de responsabilidade social, prevendo a distribuição de 165 cadeiras de rodas, das quais 110 para hospitais e 55 para apoio individual.

O setor da saúde em Moçambique tem enfrentado casos recorrentes de desvio de medicamentos e material hospitalar.

Em 02 de junho, três funcionários do Hospital Central de Nampula, a maior unidade sanitária do norte do país, foram detidos por alegada tentativa de furto de medicamentos e material médico-cirúrgico.

Em maio, o ministro da Saúde defendeu um “combate frontal” à corrupção, ao desperdício, ao furto e ao desvio de fármacos, considerando que estas práticas fragilizam a cadeia de distribuição de medicamentos e comprometem o funcionamento do sistema nacional de saúde.

Em janeiro, as autoridades anunciaram que Moçambique recuperou 5.100 doses dos cerca de 844.860 tratamentos anti-palúdicos desviados em dezembro no armazém central da Machava, província de Maputo, no sul do país.

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