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Rock in Rio Lisboa tem um espaço seguro pensado para pessoas neurodivergentes

LUSA
20-06-2026 20:53h

No recinto do 11.º Rock in Rio Lisboa, que começou hoje, há uma ‘sala sensorial’, um espaço seguro para pessoas neurodivergentes num ambiente que pode ser desafiante, visto estar sobrecarregado de estímulos sonoros e visuais.

Quem entra no pórtico da ‘cidade do rock’, o recinto do festival, junto ao rio Tejo na fronteira entre Lisboa e Loures, onde as pessoas com mobilidade reduzida têm prioridade, encontra logo do lado esquerdo o espaço acessibilidades, onde está a ‘sala sensorial’.

Mal entraram no recinto, foi aí que se dirigiram 12 jovens, com idades entre os 18 e os 30 anos, utentes da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Anadia, no distrito de Aveiro.

Uma das acompanhantes do grupo, Jessica Matos, fisioterapeuta, partilhou com a Lusa a importância deste espaço, nomeadamente da ‘sala sensorial’, onde alguns dos jovens, “caso se sintam muito cansados, sobrecarregados, com alguma agitação psicomotora, podem ir para se tranquilizar e autorregular”.

Depois de ver a sala, Jessica Matos foi buscar um ‘kit sensorial’, com “objetos que facilitam num ambiente tão sobrecarregado de estímulos”, para que os jovens que acompanha no recinto “possam arranjar estratégias para se tranquilizarem neste tipo de ambiente”.

Cada ‘kit’, que devem ser devolvidos no local no final do dia, tem abafadores sonoros (uma espécie de auscultadores), um par de óculos escuros, dois objetos sensoriais, um dos quais um ‘fidget spinner’, e uma cartilha de comunicação para não falantes.

Jessica Matos referiu que o facto de haver no festival uma ‘sala sensorial’, e o empréstimo de ‘kits sensoriais’, pesou “sem dúvida” na decisão de trazer o grupo pela primeira vez a um festival com a dimensão do Rock in Rio Lisboa, onde hoje são esperadas 100 mil pessoas, visto que a lotação está esgotada.

“Além dos ‘kits’ e da sala, todas as prioridades que tivemos até agora. Usufruímos do serviço de ‘shuttle’, usámos a entrada prioritária, poupou-nos imenso tempo, e o desgaste para eles. Acordámos bastante cedo, estamos cansados da viagem, e todos estes aspetos estão a facilitar imenso em termos de acessibilidade e conforto, para eles e para nós também, que estamos a acompanhá-los”, partilhou.

De acordo com o responsável pela ‘sala sensorial’, Romeu Nardo, da empresa brasileira fabricante de equipamentos terapêuticos Spider, “bastam 15 a 20 minutos dentro da sala para que a pessoa se autorregule e consiga regressar ao festival”.

Não havendo este espaço, que dá “segurança e confiança”, muitos não viriam ou teriam de abandonar o recinto em caso de crise.

A ‘sala sensorial’ estreou-se no Rock in Rio Lisboa na edição anterior, em 2024, e registou “uma média de 20 a 30 atendimentos por dia”.

“Uns mais tranquilos, outras situações mais graves, mas todos foram atendidos e resolveu-se. Se não houvesse a sala, as pessoas teriam de sair do recinto, para serem atendidos em casa ou num outro lugar”, referiu Romeu Nardo.

O recinto do festival abriu às 13:00, os concertos começaram pelas 16:00 e cerca de duas horas depois, a ‘sala sensorial’ já tinha acolhido três pessoas e tinham sido distribuídos vários ‘kits’.

Foi pelas 18:30 que Marta Malicia entrou na ‘cidade do rock’ dirigindo-se logo ao espaço acessibilidades, para conhecer a ‘sala sensorial’.

Num festival onde há “muita confusão, barulho, muita gente”, para esta jovem, que chegou acompanhada da mãe e de uma amiga, saber que há um sitio seguro, sossegado, mais silencioso, onde pode “escapar um bocadinho à confusão toda, ajuda muito”.

“Deixa-me muito mais tranquila com vir ao festival”, partilhou com a Lusa.

Marta confessa que não havendo este espaço, “teria pensado melhor” antes de comprar o bilhete para ver Katy Perry, a cabeça de cartaz de hoje.

Pela primeira vez num festival de música, sem a ‘sala sensorial’ provavelmente Marta não iria assistir hoje a um concerto ao vivo pela primeira vez na vida.

O recinto ao ar livre em frente ao rio Tejo, próximo da ponte Vasco da Gama, na zona oriental de Lisboa, é hoje, no domingo e nos dias 27 e 28 deste mês, a ‘cidade do rock’, o recinto do Rock in Rio Lisboa.

O festival tem lotação esgotada hoje, dia dedicado à pop, com um cartaz que além de Katy Perry inclui Pedro Sampaio, Charlie Puth, Audrey Nuna e Calema, entre outros, e no domingo, dia para sonoridades mais pesadas, com Linkin Park, Cypress Hill, Kaiser Chiefs ou Sepultura.

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