Pelo menos cinco profissionais de saúde foram suspensos por negligência durante um trabalho de parto num centro de saúde em Niassa, norte de Moçambique, disse hoje o ministro do setor, pedindo que se denunciem casos de mau atendimento.
“Suspendemos a equipa que estava de serviço lá. Eram cerca de quatro ou cinco colegas que estavam lá presentes (…). A maternidade ou a sala de parto é um sítio em que as pessoas têm de ser bem tratadas. É um sítio em que nós salvamos duas vidas. Salvamos a vida da mulher e salvamos a vida da criança. É um sítio que a pessoa tem de sair de lá feliz, alegre”, disse Ussene Isse, ministro da Saúde de Moçambique.
O ministro, que falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia de receção de 110 cadeiras de rodas doadas pelo Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Maputo, disse que a ação de pequenos grupos mancha todo o sistema de saúde moçambicano e, por isso, não se vai tolerar casos de mau atendimento nas unidades sanitárias.
Em causa está um vídeo que circula nas redes sociais desde a última semana, supostamente feito no Centro de Saúde de Chiuaula, na província de Niassa, em que um homem alega que uma mulher terá dado à luz do lado de fora do centro, enquanto as enfermeiras dormiam nas macas destinadas aos pacientes.
Nas imagens, que mostram a parturiente deitada no chão, à noite, e coberta por capulanas [tecido tradicional moçambicano], a acompanhante da mulher diz que as enfermeiras alegaram falta de luvas e por isso não a atenderam, tendo sido depois socorrida por estagiárias.
O ministro da Saúde lamentou o ocorrido e agradeceu pela denúncia, que recebeu “com muita tristeza”, referindo que aquele comportamento não reflete um verdadeiro profissional de saúde cuja missão é “cuidar bem do próximo com respeito, amor, dedicação, profissionalismo, bondade e humanização”.
“Este é o quinto exemplo em que estamos a suspender colegas. E estes colegas não farão mais parte das fileiras do Ministério da Saúde porque não podem tratar o povo moçambicano, não estão preparados para cuidar do povo moçambicano”, afirmou Ussene Isse.
O governante pediu a contínua colaboração e denúncia de casos de mau atendimento nos hospitais moçambicanos, referindo que há pelo menos 25 profissionais de saúde suspensos em Moçambique.