A União Africana criticou hoje as restrições e suspensão dos vistos pelos Estados Unidos para pessoas que tenham viajado recentemente à Republica Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul, que enfrentam um surto de Ébola.
Em comunicado, os Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC), a agência de saúde pública da União Africana, indicou ter tomado “nota da decisão do Governo dos EUA de emitir um aviso de nível 4 ‘Não Viajar’ para a Republica Democrática do Congo e de impor restrições de entrada a titulares de passaportes não norte-americanos que tenham viajado recentemente para a RDCongo, Uganda ou Sudão do Sul” nos últimos 21 dias.
Apesar de reconhecer a soberania da decisão do país, o África CDC mostrou preocupação com “a utilização de restrições de viagem generalizadas como principal ferramenta de saúde pública durante surtos”, considerando que as medidas de saúde pública durante surtos devem ser orientadas “pela ciência, proporcionalidade, transparência, cooperação internacional e regulamentos sanitários internacionais”.
Por essa razão, a decisão dos Estados Unidos apenas gera “medo”, prejudicando as economias africanas e complicam as “operações humanitárias e sanitárias (…) aumentando os riscos para a saúde pública em vez de os reduzir”.
Na mesma nota, o diretor-geral do África CDC, Jean Kaseya, considerou que “a forma mais rápida de proteger todos os países do mundo é apoiar agressivamente o controlo do surto na origem”.
“A segurança sanitária global não pode ser alcançada apenas através de fronteiras. É alcançada através de parceria, confiança, ciência e investimento rápido na capacidade de preparação e resposta”, completou.
Dessa forma, o Africa CDC apelou ao reforço do apoio internacional para melhorar a coordenação regional, apoiar profissionais de saúde, expandir os testes e a vigilância do vírus, mobilizar especialistas e acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos para o Ébola.
O secretário de Estado norte-americano acusou a Organização Mundial da Saúde (OMS) de ter sido "um pouco lenta" a identificar o novo surto de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo).
"A Organização Mundial de Saúde infelizmente foi um pouco lenta a identificar este surto", denunciou o chefe da diplomacia norte-americana.
Rubio acrescentou que Washington já disponibilizou 13 milhões de dólares (cerca de 11 milhões de euros) para operações de "resposta imediata" e espera abrir cerca de 50 clínicas para tratamento do Ébola na RDCongo.
Em janeiro, os Estados Unidos formalizaram a saída da OMS, decisão tomada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e reduziram significativamente o financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
A USAID tinha desempenhado um papel importante nas respostas internacionais a anteriores surtos de Ébola em África.
A OMS alertou para a "escala e velocidade" da propagação da epidemia no leste da RDCongo, onde já se suspeita que a doença tenha provocado mais de 130 mortos.
O Ébola é uma febre hemorrágica viral altamente contagiosa, transmitida através do contacto direto com fluidos corporais de pessoas infetadas, e apresenta taxas de mortalidade elevadas.
O Ministério da Saúde da RDCongo atualizou hoje para 136 o número de mortos e 543 casos suspeitos desde o início do surto, na passada sexta-feira, na província de Ituri (Leste do país), e que fez também uma vítima no vizinho Uganda.