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Ébola: Surto representa um risco baixo para Portugal – médicos de saúde pública

Lusa
19-05-2026 15:41h

A Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) defendeu hoje que o surto de Ébola na República Democrática do Congo representa um risco baixo para Portugal, apesar de constituir uma “situação preocupante” a nível internacional.

“O risco é baixo para Portugal e para os países fora daquela zona endémica”, adiantou o presidente da ANMSP à Lusa, no dia em que se reúne o Comité de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) para emitir recomendações temporárias aos seus Estados-membros, na sequência do surto que terá provocado 130 mortes na República Democrática do Congo (RDCongo) nas últimas semanas.

Segundo Bernardo Gomes, é expectável que o impacto “seja bastante substancial” na região atingida pelo surto provocado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe ainda um tratamento específico ou uma vacina licenciada.

“Para os países que não estão ali próximos, vai ser preciso revisitar a preparação para lidar eventualmente com algum caso, mas o potencial de dispersão geral é baixo”, realçou o especialista, que admite que as estimativas iniciais sobre a dimensão do surto “podem estar abaixo da realidade” pelas dificuldades de testagem e características do próprio vírus.

Bernardo Gomes salientou ainda que o “principal foco” em Portugal deve estar centrado no aconselhamento de viajantes para a região, incluindo trabalhadores, e, de uma forma genérica, na revisitação dos planos de preparação e resposta do país.

O médico considerou ainda que vai ser preciso apoio e investimento internacional para conter o mais rapidamente possível a transmissão do vírus nos países africanos afetados, reiterando que, apesar de ser necessário “manter alguma vigilância”, o “risco não é relevante de momento” para Portugal.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros recomendou hoje aos portugueses que evitem a “realização de viagens não essenciais” à RDCongo e “precauções e medidas de segurança excecionais” caso seja mesmo necessário viajar para o país.

Na segunda-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) adiantou à Lusa que reforçou as medidas de deteção precoce de casos de Ébola potencialmente importados, mas salientou que o risco de infeções é muito baixo na Europa.

A DGS mantém em vigor uma orientação sobre o Ébola de 2019, altura em que também foi registado um surto da doença na República Democrática do Congo.

No fim de semana, o diretor-geral da OMS declarou o surto como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla inglês), o que levou vários países africanos reforçaram os controlos sanitários e fecharam as suas fronteiras, como é o caso do Ruanda.

O Ébola matou mais de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos e, durante os surtos anteriores, a taxa de mortalidade variou entre os 25% e os 90%, segundo a OMS.

A RDCongo é regularmente afetada por epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

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