A edição 2025 das Bolsas de Doutoramento Nuno Grande (BDNG) distinguiu três jovens médicos cujos trabalhos focam na investigação sobre áreas como o envelhecimento, as doenças inflamatórias crónicas ou a insuficiência cardíaca, foi hoje revelado.
As BDNG são uma iniciativa promovida pela Fundação Bial, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e pela família de Nuno Grande e, nesta edição, pela primeira vez foi alargada a todas as universidades portuguesas.
Num resumo enviado à agência Lusa, a organização revela que são três os médicos distinguidos com BDNG para investigação sobre a ligação entre intestino e inflamação articular, a deteção precoce da doença de Alzheimer e os mecanismos da inflamação cardíaca.
A cerimónia de entrega das bolsas, no valor de 25 mil euros cada, está marcada para hoje às 15:00 no Edifício Abel Salazar, no Porto.
Um dos trabalhos que será distinguidos é o de Daniela Oliveira, médica reumatologista da Unidade Local de Saúde (ULS) de Entre Douro e Vouga e docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), autora de um projeto que será desenvolvido no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S).
Em causa um estudo que procura aprofundar a relação entre o intestino e a inflamação articular em doentes com espondilartrites, um grupo de doenças reumáticas inflamatórias crónicas frequentemente associado a manifestações extra-articulares, nomeadamente a doença inflamatória intestinal.
Será também distinguido Francisco Almeida, médico interno de Neurorradiologia da ULS Santo António e docente do ICBAS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho, por um projeto centrado no desenvolvimento de marcadores imagiológicos precoces para doenças neurodegenerativas, em particular a doença de Alzheimer e a patologia por corpos de Lewy.
A investigação foca-se no 'locus coeruleus', uma pequena estrutura localizada no tronco cerebral que desempenha um papel importante em vários processos cognitivos e que poderá ser uma das primeiras regiões afetadas por alterações associadas à doença de Alzheimer e a outras formas de demência.
Soma-se Francisco Vasques-Nóvoa, médico da ULS São João e docente da FMUP, distinguido por um projeto que propõe uma nova forma de compreender a inflamação no coração, considerando dois eixos fundamentais: a intensidade da resposta inflamatória e a sua duração ao longo do tempo.
O trabalho parte da ideia de que respostas inflamatórias intensas e de curta duração podem estar associadas à disfunção cardíaca aguda, como acontece em contexto de choque séptico, enquanto respostas persistentes de baixa intensidade podem contribuir para alterações estruturais do miocárdio, fibrose e aumento da rigidez cardíaca, relevantes em formas de insuficiência cardíaca.
Criada em 2022, esta bolsa homenageia Nuno Grande, médico, professor, investigador, fundador do ICBAS e administrador da Fundação Bial.
Até à edição de 2024 destinava-se apenas a estudantes de doutoramento daquele instituto.
Agora podem candidatar-se cidadãos nacionais ou estrangeiros, licenciados ou mestres em Medicina, que, colaborando no ensino médico em qualquer escola médica portuguesa, se encontrem inscritos num programa doutoral na área das Ciências Fundamentais em Saúde numa universidade portuguesa.
“As BDNG representam um contributo decisivo na diferenciação da formação de jovens médicos ao incentivar a integração da investigação como parte essencial da sua formação e ao proporcionar também a oportunidade de desenvolver ideias inovadoras, que contribuem para a excelência na docência da medicina e formação das novas gerações”, afirma o presidente do júri e diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho, citado no resumo enviado à Lusa.
A edição de 2025 recebeu 38 candidaturas.