O sexto e último voo de repatriamento dos passageiros do navio onde ocorreu um surto de Hantavírus partiu hoje das canárias, depois dos cinco realizados no domingo, anunciou a Comissão Europeia (CE).
“Cinco voos de repatriamento coordenados pela União Europeia (UE) tiveram lugar no domingo. Os voos, com partida de Tenerife, onde o navio de cruzeiro estava ancorado, foram executados pela França, Espanha, Holanda, Grécia e Irlanda. Um sexto e último voo, executado pelos Países Baixos, está a decorrer hoje”, adiantou o executivo comunitário em comunicado.
A CE referiu ainda que posicionou em Tenerife uma aeronave de evacuação médica da frota da UE, assim como capacidades adicionais de transporte, logística e equipamento de proteção, que estão prontas para serem implantadas, se vier a ser necessário.
Foram usados aviões fretados por vários países e da União Europeia, ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.
O Governo de Espanha disse hoje terem sido desembarcadas e repatriadas nas Canárias 125 pessoas de mais de 20 nacionalidades que estavam no barco com hantavírus e deu a operação por concluída.
"Missão cumprida. Acabámos a operação com êxito", disse a ministra da Saúde espanhol, Mónica García, numa conferência de imprensa no porto de Granadilla, Tenerife, no arquipélago das Canárias, onde o navio de cruzeiro "MV Hondius" esteve ancorado desde domingo de manhã.
Por más condições do mar, o navio teve de acostar hoje, durante uma hora, para o desembarque do último grupo, de mais de 20 pessoas, e zarpou às 19:00 (mesma hora em Lisboa), com um grupo de tripulantes, rumo a Roterdão nos Países Baixos, país da bandeira do paquete e do armador.
Os restantes desembarques, todos no domingo, foram feitos em lanchas.
A operação foi coordenada por Espanha, Países Baixos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e outros organismos da União Europeia.
O ECDC admitiu hoje que mais casos de infeção por hantavírus podem surgir nas próximas semanas entre os ex-passageiros e tripulação do navio, devido às incertezas que ainda persistem sobre o surto e ao longo período de incubação.
Segundo adiantou, a sequenciação genética do vírus “sugere fortemente” que as amostras de passageiros testadas e confirmadas estão ligadas à mesma fonte original de infeção.
“As informações genómicas mostram ainda que o vírus envolvido no surto é semelhante aos vírus dos Andes já conhecidos por circularem na América do Sul e não é uma nova variante”, salientou ainda o centro europeu, que manteve a avaliação de risco como muito baixo para a população em geral.
A OMS confirmou até agora seis casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro MV Hondius, que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.