O Ministério da Saúde afirmou hoje que está a acompanhar de perto a evolução do surto de hantavírus no navio, adiantando que a DGS está articulada com as instituições nacionais, para dar resposta imediata caso seja necessária intervenção.
A agência Lusa teve conhecimento de uma reunião ocorrida esta tarde entre a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, e a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado.
Contactado pela Lusa, o ministério confirmou a reunião, afirmando que resulta do “compromisso do Ministério da Saúde de monitorizar de perto a evolução do surto de hantavírus”.
“Esta reunião serviu para a diretora-geral da Saúde fazer o ponto da situação deste surto que tem sido acompanhado pelas autoridades nacionais e internacionais da saúde”, afirma numa resposta escrita.
No que diz respeito a Portugal, a DGS informou a secretária de Estado da Saúde que “está articulada com todas as instituições nacionais, nomeadamente o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), para dar resposta imediata, caso venha a ser necessária” intervenção.
Em declarações na terça-feira à agência Lusa, a diretora-geral da Saúde afirmou que o surto “é uma situação circunscrita e por isso mesmo é uma situação que atualmente desempenha um baixo risco para Portugal”.
Rita Sá Machado adiantou que a Direção-Geral da Saúde está a acompanhar a situação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito das suas funções e do Regulamento Sanitário Internacional.
“Não existem medidas preventivas para Portugal. Existem sim medidas que estão a ser equacionadas, neste momento, dentro do navio cruzeiro”, declarou.
Segundo o último ponto de situação feito pela Organização Mundial da Saúde, há até agora cinco casos suspeitos de infeção com hantavírus e dois confirmados em laboratório entre os ocupantes do navio cruzeiro. Três pessoas que viajavam no “MV Hondius” morreram.
A estirpe de hantavírus detetada num dos passageiros do navio de cruzeiro, transferido para um hospital na África do Sul, é a andina, a única transmissível entre humanos, informou hoje o ministro da Saúde sul-africano.
Segundo testemunhas e informação de tráfego marítimo, o navio cruzeiro Hondius deixou hoje as imediações do porto da Praia, Cabo Verde, seguindo para Tenerife.
Prevê-se que o navio chegue às ilhas Canárias dentro de três dias e que as pessoas a bordo sejam retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, disse hoje o Governo de Espanha.
O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.
Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.