São Tomé e Príncipe inaugura sexta-feira o primeiro laboratório de anatomia patológica no Hospital Ayres de Menezes para melhorar a prestação de cuidados de saúde, uma iniciativa financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, anunciou hoje a entidade.
"O laboratório de anatomia patológica vai permitir diagnósticos mais rápidos e precisos, em particular no cancro, reduzindo a dependência do exterior e tornando o tratamento mais acessível", explicou a fundação num comunicado enviado à Lusa.
Além do diagnóstico, o laboratório vai servir como polo de formação de profissionais de saúde - patologistas, técnicos de laboratório e outros especialistas - e como fonte de dados epidemiológicos, o que, segundo a Gulbenkian, vai permitir conhecer melhor a realidade oncológica do país, apoiar a formulação de políticas públicas e a integração futura do Hospital em redes de investigação.
"O perfil epidemiológico de São Tomé e Príncipe tem vindo a alterar-se de forma significativa, sendo as doenças não transmissíveis o principal desafio de saúde pública, com as doenças oncológicas a contribuírem para o perfil de mortalidade, representando cerca de 13% do total", alertou.
O aumento da incidência de casos, associado ao diagnóstico tardio, à limitada capacidade de tratamento e à insuficiente integração dos cuidados, coloca o cancro como um dos maiores desafios para o sistema de saúde e para o bem-estar da população são-tomense, explicou.
Concretamente, segundo dados da fundação, o cancro representou, entre 2019 e 2025, cerca de 38% das transferências para o exterior por motivos de saúde.
Para a Gulbenkian, esses dados evidenciam "a forte dependência de serviços externos para diagnóstico e tratamento especializado".
Por isso, explicou, a criação do laboratório surge na sequência de um pedido do Ministério da Saúde são-tomense à Fundação Gulbenkian para que apoiasse um projeto que permitisse a realização de diagnóstico patológico no principal hospital são-tomense.
Este projeto conta com a parceria técnica do IPO-Porto e da Universidade Fernando Pessoa, que apoiaram na montagem do laboratório e no acolhimento dos profissionais de saúde são-tomenses para a realização de estágios em contexto de trabalho, concluiu.